Dra. Rosana Endo
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Dra. Rosana Endo
Cirurgiã de mão · CRM-SP 155849 · RQE 63923 · RQE 114843 · 20/07/2026

De Quervain na amamentação: por que o diabetes aumenta o risco

A tenossinovite de De Quervain é uma inflamação nos tendões do polegar que afeta muitas mães durante a amamentação — e quem tem diabetes pode ser ainda mais vulnerável a essa condição. Entender o que acontece no seu corpo é o primeiro passo para buscar ajuda no momento certo.

O que é a tenossinovite de De Quervain

Os tendões são estruturas que conectam os músculos aos ossos e permitem que você mova os dedos e o punho. No caso do polegar, dois tendões responsáveis por movimentá-lo passam por um túnel estreito na região lateral do punho — exatamente onde ele se encontra com o polegar.

Quando esse túnel fica inflamado, o deslizamento dos tendões dentro dele se torna difícil e doloroso. Essa inflamação tem nome: tenossinovite de De Quervain, batizada em homenagem ao cirurgião suíço Fritz de Quervain, que descreveu a condição no fim do século XIX.

O sinal mais clássico é uma dor na base do polegar, no lado do punho, que piora ao pinçar objetos, virar a maçaneta ou, muito frequentemente, ao segurar e sustentar o bebê durante a amamentação.

Como saber se a dor é nesse tendão?

Existe um teste simples que os médicos usam na avaliação: você dobra o polegar para dentro da mão, fecha os outros dedos sobre ele e inclina o punho em direção ao chão. Se essa posição provocar ou intensificar a dor na lateral do punho, o resultado é sugestivo de De Quervain. Mas apenas uma avaliação presencial pode confirmar o diagnóstico — o teste isolado não substitui a consulta.

Por que a amamentação favorece essa inflamação

Amamentar parece um gesto simples, mas ele repete dezenas de vezes por dia uma posição muito específica: segurar o bebê com os braços, apoiar a cabeça dele com a palma da mão e usar o polegar para posicionar o seio. Esse movimento combina duas forças que sobrecarregam exatamente o túnel onde os tendões do polegar deslizam.

Além do esforço repetitivo, o período pós-parto é marcado por mudanças hormonais intensas. A queda dos níveis de estrogênio após o nascimento do bebê tende a aumentar a inflamação em estruturas como tendões e articulações. Isso explica por que muitas mulheres que nunca tiveram qualquer problema no punho desenvolvem De Quervain nas primeiras semanas de amamentação.

Tudo isso faz do período de amamentação uma janela de vulnerabilidade real para os tendões do polegar.

O papel do diabetes nessa história

Se você tem diabetes — seja o tipo 1, o tipo 2 ou o diabetes gestacional que persistiu após o parto — seu corpo lida com os tendões de uma forma diferente, e esse detalhe importa muito quando o assunto é De Quervain.

O excesso de glicose no sangue ao longo do tempo favorece um processo chamado glicação de proteínas: moléculas de açúcar se ligam ao colágeno, que é justamente o principal componente dos tendões. Esse colágeno modificado fica mais rígido, menos elástico e mais suscetível a inflamações. O resultado prático é que tendões de pessoas com diabetes se inflamam com mais facilidade e, muitas vezes, demoram mais para melhorar.

Diabetes e inflamação: uma relação conhecida

O diabetes também está associado a um estado de inflamação de baixo grau no organismo. Isso significa que qualquer gatilho inflamatório — como o esforço repetitivo da amamentação — pode desencadear uma resposta mais intensa em quem tem a doença.

Além disso, a circulação nos pequenos vasos que nutrem tendões e nervos pode ficar comprometida com o tempo. Com menos nutrição chegando a essas estruturas, a capacidade de recuperação após sobrecarga diminui.

Nada disso significa que toda mãe com diabetes vai desenvolver De Quervain — mas entender esse risco ajuda a reconhecer os sintomas mais cedo e buscar avaliação antes que o quadro avance.

Sintomas que merecem atenção especial

A dor na lateral do punho durante a amamentação pode parecer algo banal — afinal, o cansaço do pós-parto é real e dores musculares são comuns. Mas alguns sinais indicam que vale marcar uma consulta com um cirurgião de mão:

Para mães com diabetes, a recomendação é não esperar o quadro ficar intenso. Como a recuperação pode ser mais lenta, tratar cedo faz diferença.

Lembre-se: apenas uma avaliação presencial pode confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento mais adequado para o seu caso.

O que esperar da avaliação com a cirurgiã de mão

Durante a consulta, a Dra. Rosana Endo realiza um exame físico detalhado do punho e do polegar, considerando todo o contexto da paciente — incluindo histórico de diabetes, tempo de amamentação e como os sintomas evoluíram. Não há um protocolo único: o plano de cuidado é construído caso a caso.

As abordagens disponíveis para De Quervain vão desde medidas mais conservadoras, como imobilização com órtese e orientações de posicionamento, até infiltrações e, em casos selecionados, tratamento cirúrgico. Em mães que amamentam e têm diabetes, a escolha do tratamento leva em conta fatores adicionais — por isso a avaliação especializada é tão importante.

Se você está amamentando, sente dor no punho e tem diabetes, considere agendar uma avaliação. Quanto mais cedo o quadro for identificado, maiores as chances de seguir amamentando com conforto e sem deixar a dor limitar sua rotina.

Perguntas frequentes

De Quervain vai embora sozinha depois que eu parar de amamentar?

Em alguns casos os sintomas melhoram com a redução da sobrecarga, mas isso não acontece sempre — especialmente em pessoas com diabetes, cujos tendões podem ter uma resposta inflamatória mais persistente. Não é seguro esperar sem avaliação, porque quanto mais tempo sem tratamento, maior a chance de o quadro se prolongar.

Posso continuar amamentando se tiver De Quervain?

Na maioria das situações, sim — e a continuidade da amamentação costuma ser um objetivo importante no plano de cuidado. Ajustes de posicionamento do bebê, uso de apoios e orientações específicas podem ajudar muito. A Dra. Rosana avalia cada situação individualmente para encontrar o melhor equilíbrio entre o tratamento e a amamentação.

O diabetes gestacional que já passou ainda aumenta o risco?

O diabetes gestacional que se resolve após o parto reduz parte do risco associado ao ambiente metabólico alterado. Porém, se os níveis de glicose ainda estão sendo monitorados no pós-parto, vale conversar com seu médico de referência e também com um especialista em mão caso apareça dor no punho.

Existe alguma forma de prevenir De Quervain durante a amamentação?

Algumas medidas podem ajudar a reduzir a sobrecarga nos tendões: variar as posições de amamentação, usar travesseiros de apoio para não sustentar o peso do bebê só com as mãos e evitar dobrar muito o punho ao segurar o bebê. Para quem tem diabetes, manter o controle glicêmico em dia também contribui para a saúde dos tendões de forma geral.

A cirurgia para De Quervain é indicada com frequência?

A cirurgia é uma opção reservada para casos que não respondem bem aos tratamentos menos invasivos. Muitas pacientes melhoram com abordagens conservadoras. A decisão é sempre individualizada e tomada em conjunto com a paciente, levando em conta seu histórico, incluindo o diabetes.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.

Está com esses sintomas?

Agende uma avaliação com a Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão em São Paulo.