De Quervain em quem digita muito: exames e consulta
Quem passa horas digitando no celular pode desenvolver a tenossinovite de De Quervain, uma inflamação nos tendões do polegar que provoca dor no lado do punho. O diagnóstico é clínico, feito pelo exame das mãos, e o tratamento costuma começar sem cirurgia.
Por que digitar no celular pode inflamar os tendões do polegar
O movimento repetitivo de rolar a tela, digitar mensagens e segurar o aparelho com uma mão enquanto o polegar trabalha sozinho sobrecarrega dois tendões específicos: o abdutor longo e o extensor curto do polegar. Eles passam por um túnel estreito na base do punho, do lado do polegar.
Quando esses tendões são exigidos de forma intensa e contínua, a bainha que os reveste fica irritada e inchada. Esse processo inflamatório é a tenossinovite de De Quervain. A dor começa geralmente naquele ponto ósseo saliente no lado do punho — a região do rádio — e pode irradiar para o antebraço ou para o polegar.
O uso excessivo do celular não é o único fator, mas nos últimos anos tornou-se uma das causas mais frequentes entre adultos jovens, especialmente porque o hábito de digitar com os polegares não dá intervalos suficientes para os tendões se recuperarem.
Sinais que merecem atenção antes de ir à consulta
Nem toda dor no punho é De Quervain, e só uma avaliação presencial pode confirmar o diagnóstico. Mesmo assim, alguns sinais são característicos dessa condição e justificam marcar uma consulta com um especialista em cirurgia da mão:
- Dor ou sensibilidade ao toque no lado do polegar do punho;
- Inchaço discreto nessa mesma região;
- Dificuldade para fazer movimentos simples, como abrir um pote, girar uma chave ou segurar o celular;
- Piora da dor ao mover o polegar em direção ao dedo mínimo;
- Sensação de travamento ou resistência ao movimentar o polegar.
Se a dor aparece apenas após longas sessões no celular e melhora com repouso, pode ser um estágio inicial. Com o tempo, a tendência é que o desconforto passe a aparecer também em atividades mais leves do dia a dia.
O que a cirurgiã de mão avalia na consulta
A consulta com uma especialista em cirurgia da mão começa pela conversa: quando a dor surgiu, o que piora, o que alivia, qual é a rotina de uso do celular e do computador, se há outras atividades manuais frequentes. Esses detalhes ajudam a construir o contexto clínico.
Em seguida vem o exame físico das mãos e do punho. O principal teste utilizado é o Teste de Finkelstein: você dobra o polegar sobre a palma, fecha os outros dedos sobre ele e inclina o punho em direção ao dedo mínimo. Se houver dor intensa nesse movimento, é um sinal clínico relevante para De Quervain. A médica também palpa a região para identificar pontos de dor, inchaço e possível crepitação dos tendões.
A avaliação inclui ainda verificar a força de preensão, a mobilidade dos dedos e do punho, e descartar outras condições que podem se parecer com De Quervain, como a artrose da base do polegar (rizartrose) ou a síndrome do túnel do carpo.
Quando o exame clínico é suficiente
Na maioria dos casos, o diagnóstico de De Quervain é essencialmente clínico, ou seja, feito com base na história e no exame físico, sem necessidade imediata de exames de imagem. Isso porque os achados do exame das mãos já são bastante característicos dessa condição.
Exames de imagem: quando são solicitados e o que mostram
Os exames complementares não são obrigatórios em todos os casos, mas podem ser pedidos para confirmar o diagnóstico, afastar outras causas de dor ou planejar o tratamento. Entender para que serve cada um ajuda a chegar à consulta mais preparado.
- Ultrassonografia do punho: é o exame mais utilizado nessa situação. Consegue visualizar os tendões em tempo real, identificar o espessamento da bainha, a presença de líquido inflamatório e, em alguns casos, variações anatômicas que influenciam no tratamento. É rápido, não usa radiação e pode ser feito com movimentação do punho durante o exame.
- Radiografia do punho: não mostra tendões, mas é útil para verificar as estruturas ósseas e descartar artrose, calcificações ou outras alterações que possam estar causando dor na mesma região.
- Ressonância magnética: solicitada com menos frequência, mas indicada em casos de dúvida diagnóstica ou quando a resposta ao tratamento inicial não é a esperada. Oferece imagens detalhadas de tendões, ligamentos e cartilagens.
A escolha do exame depende do quadro de cada pessoa. A especialista irá indicar o que for mais adequado após o exame clínico, sem exageros desnecessários.
Como costuma ser o tratamento e o que esperar do processo
O tratamento da tenossinovite de De Quervain quase sempre começa de forma conservadora, ou seja, sem cirurgia. As opções incluem:
- Imobilização com órtese: uma tipoia ou tala específica para o polegar e punho reduz o movimento dos tendões inflamados e permite que a bainha descanse.
- Anti-inflamatórios e analgésicos: prescritos conforme a avaliação médica para controlar a dor e a inflamação.
- Infiltração com corticosteroide: aplicação de medicamento diretamente na bainha do tendão, que pode proporcionar alívio expressivo. Em muitos casos, uma ou duas infiltrações são suficientes para resolver o quadro.
- Fisioterapia e adaptações de postura: exercícios específicos para os tendões e orientações sobre como ajustar o jeito de segurar e usar o celular podem ajudar tanto na recuperação quanto na prevenção de recaídas.
A cirurgia é reservada para casos que não respondem ao tratamento conservador após um período adequado de acompanhamento. Quando indicada, o procedimento abre o túnel estreito por onde passam os tendões, aliviando a compressão.
Cada pessoa responde de forma diferente ao tratamento, e o tempo de recuperação varia. A Dra. Rosana Endo avalia cada caso individualmente para indicar o caminho mais adequado.
Como se preparar para a consulta e tirar o melhor proveito dela
Chegar bem preparado à consulta ajuda a aproveitar melhor o tempo com a especialista e a obter respostas mais precisas. Algumas dicas práticas:
- Anote quando a dor começou e em que situações ela piora ou melhora;
- Registre quantas horas por dia, em média, você usa o celular e de que forma (com uma ou duas mãos, rolando a tela, digitando muito);
- Leve exames anteriores se houver, mesmo que não sejam do punho;
- Informe sobre outras doenças, medicamentos em uso e se já teve problemas semelhantes em outras articulações;
- Prepare suas perguntas com antecedência — não há pergunta boba quando o assunto é a sua saúde.
A consulta com a Dra. Rosana Endo inclui exame físico detalhado das mãos e punhos, escuta atenta ao histórico e orientação clara sobre as próximas etapas. Se você tem dor ao digitar e suspeita de De Quervain, agendar uma avaliação é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e cuidar da sua mão com segurança.
Perguntas frequentes
O diagnóstico de De Quervain exige exame de imagem?
Na maioria dos casos, não. O diagnóstico é feito principalmente pelo exame clínico das mãos e pelo histórico do paciente. A ultrassonografia ou outros exames podem ser solicitados para confirmar o quadro, afastar outras causas ou planejar o tratamento, mas não são obrigatórios em todos os casos.
Usar o celular com as duas mãos realmente ajuda a prevenir De Quervain?
Dividir o trabalho entre os dois polegares reduz a sobrecarga em cada um deles. Fazer pausas frequentes, evitar longas sessões de digitação sem descanso e ajustar a forma de segurar o aparelho também são medidas que diminuem o estresse repetitivo sobre os tendões. A avaliação com uma especialista pode indicar as adaptações mais adequadas para o seu caso.
Dói muito fazer o Teste de Finkelstein na consulta?
O teste provoca dor quando a condição está presente — é exatamente isso que ele avalia. A médica realiza o movimento de forma controlada e cuidadosa, e a dor dura apenas o momento do teste. Ela é importante para o diagnóstico e não causa nenhum dano aos tendões.
Posso continuar usando o celular durante o tratamento?
Depende do estágio da inflamação e do tratamento indicado. Em alguns casos, reduzir o uso e adaptar a forma de segurar o aparelho é parte do tratamento. A especialista orientará sobre as limitações necessárias de acordo com o seu quadro específico.
De Quervain tem chance de voltar depois do tratamento?
Sim, a recorrência é possível, especialmente se os hábitos que causaram a inflamação não forem modificados. Por isso, além do tratamento da fase aguda, a orientação sobre ergonomia, postura e pausas durante o uso do celular faz parte do cuidado com essa condição.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
Está com esses sintomas?
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