De Quervain x Rizartrose: como saber qual dói no polegar
A dor na base do polegar nem sempre tem a mesma causa: a tenossinovite de De Quervain afeta os tendões do lado do punho, enquanto a rizartrose compromete a articulação entre o polegar e o punho — e distinguir as duas faz toda a diferença no tratamento.
Por que o polegar dói tanto em quem usa muito o celular?
Quem passa horas rolando a tela, digitando mensagens ou segurando o celular com uma só mão provavelmente já sentiu aquela fisgada na base do polegar. Esse movimento repetitivo de pinça e extensão do dedo é exatamente o que sobrecarrega duas estruturas diferentes — e é justamente aí que mora a confusão.
Existem dois problemas distintos que causam dor nessa mesma região, mas que têm origens, características e tratamentos bem diferentes: a tenossinovite de De Quervain e a rizartrose. Entender qual delas está em jogo é o primeiro passo para cuidar do problema corretamente.
O uso intenso do celular, especialmente com o polegar em movimento constante, pode contribuir para o surgimento ou agravamento da tenossinovite de De Quervain em pessoas com predisposição. Já a rizartrose tem componente degenerativo importante, mas o esforço repetitivo também pode acelerar os sintomas.
Tenossinovite de De Quervain: o problema está nos tendões
A tenossinovite de De Quervain é uma inflamação que ocorre na bainha que reveste dois tendões responsáveis por mover o polegar — o abdutor longo e o extensor curto. Esses tendões passam por um túnel estreito no lado do punho, próximo ao pulso, e quando inflamam, o espaço fica ainda mais apertado.
Como a dor se manifesta
- Dor e sensibilidade no lado do punho, na altura do osso saliente abaixo do polegar
- Piora ao pinçar objetos, girar a chave ou segurar o celular
- Sensação de estralo ou travamento ao mover o polegar
- Inchaço localizado nessa região
O teste de Finkelstein
Existe um teste clínico simples, chamado de teste de Finkelstein, que a maioria dos especialistas usa na consulta: o paciente fecha o punho sobre o polegar e inclina a mão em direção ao dedo mínimo. Se houver dor intensa nesse movimento, o resultado sugere De Quervain. Mas atenção: esse teste não deve ser feito em casa como forma de autodiagnóstico — ele precisa ser interpretado por um médico dentro do contexto clínico completo.
Rizartrose: quando o problema está na articulação
A rizartrose é a artrose da articulação trapeziometacarpal — ou seja, o desgaste da cartilagem que existe na junção entre o osso trapézio (no punho) e o primeiro metacarpo (base do polegar). Diferentemente da De Quervain, que é uma inflamação de tendão, a rizartrose é um processo degenerativo da própria articulação.
Características que diferenciam da De Quervain
- A dor se concentra mais fundo na base do polegar, não na superfície do tendão
- Pode haver deformidade progressiva, com o polegar assumindo posição diferente ao longo do tempo
- Dor ao fazer força de pinça, como abrir potes ou girar uma torneira
- Crepitação (sensação de areia ou rangido) ao mover o polegar
- Acomete com mais frequência mulheres após os 40 anos, mas pode surgir antes
Por que as duas são confundidas?
A localização próxima e o tipo de atividade que piora as duas condições fazem com que muitos pacientes — e até alguns profissionais menos especializados — confundam os diagnósticos. É possível, inclusive, que uma mesma pessoa tenha as duas condições ao mesmo tempo, o que torna a avaliação especializada ainda mais importante. Exames de imagem, como ultrassonografia e radiografia, ajudam a distinguir os casos.
Tratamento e o que esperar do pós-operatório de cada condição
O tratamento começa sempre pelas opções conservadoras — e, na maioria dos casos, elas resolvem bem. A cirurgia entra em cena quando o tratamento clínico não traz alívio suficiente após o tempo adequado.
Tratamento conservador (para as duas condições)
- Imobilização com órtese para reduzir o movimento e dar descanso à estrutura afetada
- Infiltração com corticosteroide — especialmente eficaz na De Quervain — para reduzir a inflamação
- Fisioterapia com exercícios específicos de fortalecimento e alongamento
- Adaptação de hábitos, incluindo a forma de segurar e usar o celular
Quando a cirurgia é indicada
Na tenossinovite de De Quervain, a cirurgia consiste em abrir o túnel que comprime os tendões, liberando o espaço para eles. É um procedimento relativamente simples, feito em geral com anestesia local e sedação, em regime ambulatorial.
Na rizartrose avançada, a cirurgia pode envolver desde a remoção do osso trapézio até técnicas de reconstrução ligamentar, dependendo do estágio da doença e das características de cada paciente.
Como é a recuperação após a cirurgia de De Quervain
- A mão permanece imobilizada por cerca de 2 a 3 semanas após a cirurgia
- A fisioterapia começa logo após a retirada da imobilização, para recuperar força e mobilidade
- Atividades leves do dia a dia costumam ser retomadas em torno de 4 a 6 semanas
- O retorno ao trabalho varia conforme a atividade: trabalhos administrativos costumam ser retomados antes; esforço físico intenso leva mais tempo
- A cicatriz fica discreta, geralmente no lado do punho
Como é a recuperação após cirurgia de rizartrose
- A imobilização costuma ser mais prolongada — em torno de 4 a 6 semanas com tala ou gesso
- A fisioterapia é fundamental e pode durar alguns meses
- A recuperação completa da força de pinça pode levar de 3 a 6 meses
- O resultado depende muito do estágio da artrose no momento da cirurgia e da dedicação à reabilitação
Em ambos os casos, seguir rigorosamente as orientações pós-operatórias e manter a regularidade na fisioterapia são fatores que influenciam muito na evolução da recuperação.
O celular como fator de risco: o que mudar no dia a dia
Não é preciso abandonar o celular, mas alguns ajustes simples podem reduzir a sobrecarga no polegar durante o uso:
- Evite segurar o aparelho com uma mão só por longos períodos — apoie-o em superfícies sempre que possível
- Use o indicador ou o mindinho para rolar a tela em vez de sempre usar o polegar
- Faça pausas regulares ao digitar mensagens longas
- Considere o uso de suportes de celular que reduzem a tensão no polegar
- Atenção à posição: segurar o celular com o polegar em extensão por tempo prolongado é um dos movimentos mais agressivos para os tendões
Essas adaptações não substituem o tratamento médico, mas fazem parte do conjunto de cuidados que ajudam a controlar os sintomas e prevenir recidivas.
Quando procurar uma cirurgiã de mão?
Se você sente dor persistente na base do polegar — com ou sem o uso intenso do celular — o ideal é buscar avaliação especializada antes que o problema avance. Quanto mais cedo o diagnóstico correto é feito, maiores as chances de o tratamento conservador ser suficiente.
A Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão em São Paulo, realiza avaliação completa para diferenciar condições como a tenossinovite de De Quervain e a rizartrose, definindo o tratamento mais adequado para cada caso — do mais simples ao cirúrgico, quando necessário.
Nenhum artigo, por mais completo que seja, substitui uma consulta presencial. Se a dor está atrapalhando sua rotina, agende uma avaliação.
Perguntas frequentes
Como saber se a dor no polegar é De Quervain ou rizartrose sem fazer exame?
Não é possível ter certeza sem avaliação médica. Em termos gerais, a De Quervain tende a doer mais na lateral do punho, no trajeto dos tendões, enquanto a rizartrose dói mais fundo, na articulação da base do polegar. Mas as duas podem coexistir, e apenas um especialista com exame clínico e de imagem pode distingui-las com segurança.
A cirurgia de De Quervain é complicada? Fico sem usar a mão por quanto tempo?
É uma cirurgia considerada de baixa complexidade, feita em regime ambulatorial. A imobilização dura em torno de 2 a 3 semanas, e atividades leves costumam ser retomadas entre 4 e 6 semanas. A fisioterapia após a cirurgia é importante para recuperar a mobilidade e a força. O tempo exato varia de pessoa para pessoa e depende da avaliação individual.
Usar muito o celular pode mesmo causar tenossinovite de De Quervain?
O movimento repetitivo do polegar — como rolar a tela, digitar e segurar o aparelho por longos períodos — sobrecarrega os tendões envolvidos na De Quervain. Em pessoas com predisposição, esse esforço continuado pode contribuir para o surgimento ou agravamento da condição. Adaptar o modo de usar o celular é parte importante do tratamento e da prevenção.
A infiltração resolve a De Quervain definitivamente?
A infiltração com corticosteroide é eficaz para reduzir a inflamação e aliviar os sintomas em boa parte dos casos, principalmente quando associada à imobilização e à fisioterapia. Em alguns pacientes, uma ou duas infiltrações resolvem o quadro sem necessidade de cirurgia. Em outros, os sintomas retornam, e aí a cirurgia pode ser o próximo passo. Isso depende de cada caso e precisa ser avaliado individualmente.
Tenho rizartrose no estágio inicial. Preciso operar logo?
Não necessariamente. Nos estágios iniciais, o tratamento conservador — com órtese, fisioterapia e infiltrações — costuma controlar bem os sintomas por um longo período. A cirurgia é indicada quando essas medidas não são mais suficientes para manter a qualidade de vida. A progressão varia muito de pessoa para pessoa, e o acompanhamento regular com um especialista é a melhor forma de monitorar o caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
Está com esses sintomas?
Agende uma avaliação com a Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão em São Paulo.
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