Dor na lateral do punho em manicures e cabeleireiras
A dor na lateral do punho que aparece ao pinçar, torcer ou segurar objetos é uma queixa muito comum entre manicures e cabeleireiras — e pode indicar a tenossinovite de De Quervain, uma inflamação dos tendões que movimentam o polegar. Identificar os hábitos que sobrecarregam esses tendões é o primeiro passo para cuidar melhor das mãos.
Por que a lateral do punho dói tanto em quem trabalha com as mãos
Manicures e cabeleireiras realizam dezenas de movimentos repetitivos ao longo de cada dia: segurar o alicate, torcer meias de coloração, aplicar escova progressiva, pintar unhas com pincel fino. Todos esses gestos têm algo em comum — eles exigem que o polegar e o punho trabalhem juntos em ângulos forçados, muitas vezes por horas seguidas sem descanso.
Existe uma região específica no lado do polegar do punho onde dois tendões percorrem um túnel estreito de tecido fibroso. Quando esses tendões são sobrecarregados repetidamente, a bainha que os envolve fica irritada e inchada. O resultado é dor, sensação de pressão e, às vezes, um leve estalo ao mexer o polegar. Essa condição recebe o nome de tenossinovite de De Quervain.
Nenhum desses sintomas deve ser ignorado. Quanto mais cedo a situação é avaliada por um especialista, maiores as possibilidades de manejo sem procedimentos mais complexos.
Como o trabalho de manicure e cabeleireira sobrecarrega esses tendões
Não é exagero dizer que algumas profissões são verdadeiros fatores de risco para a saúde das mãos. Veja como gestos do dia a dia de trabalho afetam diretamente a lateral do punho:
- Segurar o alicate de cutícula: o pinçamento repetido com força exige muito do polegar e dos tendões que o sustentam.
- Aplicar gel e acrigel: o movimento de espalhar e modelar o produto combina pressão, torção e desvio do punho ao mesmo tempo.
- Usar chapinha e babyliss: segurar esses aparelhos pesados com o punho em posição de desvio lateral durante longos períodos é um dos gestos mais agressivos para a região.
- Fazer escova em cabelos grossos: puxar a escova enquanto se segura a mecha exige força estática do polegar e punho, especialmente quando o cliente tem muito volume capilar.
- Torcer tubinhos e bisnagas: o movimento parece simples, mas concentra carga exatamente sobre os tendões do polegar.
A combinação de força, repetição e posição inadequada do punho é o que torna essas profissões particularmente vulneráveis.
Exercícios e alongamentos que podem ajudar no dia a dia
Antes de qualquer coisa: exercícios não substituem avaliação médica e não tratam uma inflamação já estabelecida. Mas, como parte de uma rotina de cuidado preventivo e de alívio supervisionado, alguns movimentos suaves podem ajudar a manter a mobilidade e reduzir a tensão acumulada durante a jornada.
Alongamento suave do polegar
Com a mão espalmada, leve o polegar em direção à palma o mais confortavelmente possível, sem forçar. Segure por 15 a 20 segundos e repita três vezes em cada mão. Esse movimento ajuda a alongar os tendões que percorrem a lateral do punho.
Desvio suave do punho
Apoie o antebraço sobre a mesa com o punho para fora da borda. Mova o punho lentamente para cima e para baixo, como se acenou com a mão, dentro do limite do conforto. Faça 10 repetições lentas. O objetivo é manter a mobilidade sem provocar dor.
Pausa ativa durante o atendimento
A cada 45 minutos a 1 hora de trabalho, abra e feche a mão devagar cinco vezes, depois sacuda os punhos levemente. Essa pausa simples já reduz o acúmulo de tensão nos tendões.
Automassagem no antebraço
Com o polegar da mão oposta, faça deslizamentos suaves do punho em direção ao cotovelo, pelo lado externo do antebraço. Isso ajuda a liberar a tensão muscular que contribui para a sobrecarga dos tendões.
Importante: se qualquer um desses movimentos piorar a dor, interrompa imediatamente e procure avaliação especializada.
Adaptações práticas no ambiente de trabalho
Pequenas mudanças na forma de trabalhar podem reduzir bastante a carga sobre os tendões do polegar e do punho. Aqui estão algumas sugestões práticas:
- Reveze as mãos sempre que possível: para tarefas que não exigem precisão dominante, como segurar frascos ou enrolar papel alumínio, use as duas mãos alternadamente.
- Prefira alicates ergonômicos com mola de retorno: eles exigem menos força de pinçamento repetido e reduzem o esforço dos tendões a cada abertura.
- Apoie o punho ao trabalhar: sempre que der, apoie o antebraço ou o punho sobre a mesa do cliente. Trabalhar com o punho suspenso no ar por longos períodos aumenta muito a carga sobre os tendões.
- Ajuste a altura da cadeira e da bancada: trabalhar com os cotovelos muito baixos ou muito altos obriga o punho a compensar em ângulos desfavoráveis. A altura ideal é aquela em que os antebraços ficam aproximadamente paralelos ao chão.
- Evite segurar instrumentos com força desnecessária: muitas pessoas apertam o alicate ou o pente com mais força do que o necessário por tensão ou hábito. Treinar o gesto com pressão mínima faz diferença com o tempo.
- Use espessadores de cabo em pincéis e instrumentos finos: acessórios de espuma ou silicone que aumentam a espessura do cabo reduzem a força de pinçamento e distribuem melhor a pressão.
Quando os cuidados em casa não são suficientes
Há situações em que a dor na lateral do punho vai além de um cansaço passageiro. Fique atenta a estes sinais:
- Dor que persiste mesmo nos dias de folga ou durante o descanso
- Dificuldade para abrir potes, girar chaves ou segurar um copo
- Inchaço visível ou sensação de calor na região do polegar
- Dor que irradia para o polegar ou sobe pelo antebraço
- Piora progressiva ao longo das semanas, mesmo com repouso
Esses sinais indicam que os tendões podem estar mais comprometidos e que é hora de buscar avaliação com um especialista em mãos. Um cirurgião de mão poderá examinar a região, solicitar exames se necessário e indicar o caminho mais adequado para cada caso — que pode incluir desde fisioterapia e uso de órtese até, em situações específicas, outros tipos de tratamento.
A Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão, atende em São Paulo e pode avaliar seu caso com atenção e cuidado. Agendar uma consulta é o melhor caminho para entender o que está acontecendo com seu punho e retomar o trabalho sem dor.
Cuidar das mãos também é cuidar da sua carreira
As mãos são, literalmente, a ferramenta de trabalho de manicures e cabeleireiras. Adiar o cuidado com uma dor que já se instalou quase sempre significa uma recuperação mais longa no futuro. Ao mesmo tempo, adotar pequenas rotinas de prevenção no dia a dia — os alongamentos, as pausas, os ajustes de postura — já representa uma diferença real para a saúde dos tendões ao longo dos anos de carreira.
Nenhum sintoma deve ser normalizado como parte inevitável da profissão. Dor crônica nas mãos tem causa, tem diagnóstico e, na maioria das vezes, tem solução. O primeiro passo é sempre a avaliação com um profissional qualificado para ouvir sua história e examinar seu punho com atenção.
Perguntas frequentes
Como saber se a dor na lateral do punho é tenossinovite de De Quervain?
A dor na região do polegar do punho que piora ao pinçar objetos, torcer o punho ou segurar o bebê (ou o alicate, no caso das manicures) é um sinal comum dessa condição. Existe um teste clínico chamado de Finkelstein que os médicos costumam usar na consulta, mas o diagnóstico correto só pode ser confirmado por um especialista em avaliação presencial.
Posso continuar trabalhando se estiver com dor no punho?
Trabalhar com dor pode agravar a inflamação e prolongar o tempo de recuperação. O ideal é buscar avaliação médica antes de decidir continuar ou pausar as atividades. Em muitos casos, adaptações no jeito de trabalhar e o uso de uma órtese específica permitem que a profissional continue atendendo com menos sobrecarga nos tendões — mas essa decisão deve ser orientada por um especialista.
A tenossinovite de De Quervain tem cura?
É uma condição que responde bem ao tratamento quando identificada e cuidada adequadamente. O caminho varia de pessoa para pessoa, e o resultado depende de vários fatores, como o tempo de evolução e o nível de atividade. Apenas o médico que avaliou o seu caso pode orientar sobre o que esperar do tratamento.
Órtese para o punho ajuda nesse caso?
O uso de uma órtese específica para o polegar e o punho é uma das medidas mais comuns no tratamento inicial da tenossinovite de De Quervain. Ela ajuda a reduzir o movimento dos tendões inflamados e permite que a região descanse mesmo durante atividades leves. A indicação e o tipo correto de órtese, porém, devem ser definidos pelo médico na consulta.
Exercícios pioram a inflamação dos tendões?
Depende muito do momento e do tipo de exercício. Em fases de inflamação aguda, qualquer movimentação forçada pode piorar o quadro. Já em fases mais estáveis, exercícios suaves de mobilidade e alongamento — feitos com orientação — ajudam a manter a função do punho. O mais seguro é sempre receber orientação individualizada de um especialista antes de iniciar qualquer rotina de exercícios para a mão.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
Está com esses sintomas?
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