Órtese no polegar: aliada contra De Quervain em manicures
A tenossinovite de De Quervain é uma inflamação nos tendões do polegar que causa dor intensa no lado do punho — e o uso de órtese é uma das principais ferramentas para aliviar os sintomas e permitir a recuperação.
O que é a tenossinovite de De Quervain e por que ela dói tanto
Dois tendões que movem o polegar — o abdutor longo e o extensor curto — passam por um pequeno túnel fibroso na lateral do punho, bem na base do polegar. Quando esses tendões ficam inflamados, o túnel fica estreito demais para deixá-los deslizar com liberdade. É esse atrito repetido que gera a dor característica da tenossinovite de De Quervain.
A dor costuma aparecer no lado do punho que fica alinhado com o polegar, podendo irradiar ao longo do antebraço ou descer até a ponta do dedo. Apertar objetos, girar o punho ou simplesmente pegar uma xícara podem se tornar movimentos dolorosos. Alguns pacientes relatam também um leve inchaço ou sensação de "travamento" na região.
Essa condição não surge do nada: ela é resultado de um acúmulo de movimentos repetitivos que sobrecarregam justamente esses dois tendões. Por isso, certas profissões aparecem com muito mais frequência nos consultórios de cirurgia de mão do que outras.
Por que manicures e cabeleireiras desenvolvem essa inflamação com frequência
Quem trabalha como manicure ou cabeleireira passa horas por dia repetindo gestos muito parecidos — e esses gestos são exatamente os que mais sobrecarregam os tendões do polegar.
- Manicures: segurar a mão do cliente com o polegar em pinça, empurrar cutículas, lixar e esmaltar unhas exigem um movimento chamado pinça lateral combinado com desvio do punho. Esse padrão, repetido dezenas de vezes ao dia, é um fator de risco importante para De Quervain.
- Cabeleireiras: o ato de abrir e fechar a tesoura, escovar cabelo com força e segurar o secador por longos períodos envolve extensão e abdução contínua do polegar. Ao longo de uma jornada de oito horas, o número de repetições é impressionante.
Além do movimento em si, a postura do punho durante o trabalho faz diferença. Trabalhar com o punho dobrado para baixo ou para o lado (em vez de manter uma posição neutra) aumenta a pressão dentro do túnel fibroso e acelera o processo inflamatório.
Fatores hormonais também contribuem: a condição é mais comum em mulheres, especialmente em fases de variação hormonal como gestação e pós-parto — o que coincide com a faixa etária mais frequente nessas profissões.
Para que serve a órtese do polegar e como ela funciona
A órtese — também chamada de imobilizador ou splint — é um dispositivo que mantém o polegar e o punho em uma posição de repouso, impedindo os movimentos que mais irritam os tendões inflamados. Ela não cura a inflamação sozinha, mas cria as condeiras para que o organismo consiga se recuperar.
O princípio é simples: tendões inflamados precisam de repouso relativo. Quando o polegar continua se movendo livremente durante as horas de trabalho, a inflamação se perpetua — como tentar cicatrizar um arranhão coçando o tempo todo. A órtese interrompe esse ciclo.
Tipos de órtese mais usados
- Órtese de punho com extensão para o polegar: imobiliza tanto o punho quanto a articulação do polegar, oferecendo proteção mais ampla. É a mais indicada nas fases em que a dor é mais intensa.
- Órtese apenas do polegar (tipo "polegarin"): deixa o punho livre e restringe só o polegar. Pode ser uma opção para fases mais avançadas da reabilitação, sob orientação do profissional de saúde.
O material, o tamanho e o tempo de uso devem sempre ser definidos pelo médico ou pelo terapeuta da mão. Usar uma órtese inadequada pode sobrecarregar outras articulações ou atrasar a recuperação.
Quando usar a órtese
Em geral, o uso é recomendado durante as atividades que provocam dor e, em casos mais graves, também durante o sono. Para profissionais que não podem se afastar totalmente do trabalho, a órtese durante o expediente pode ajudar a reduzir a sobrecarga, mas isso deve ser combinado com o médico responsável pelo tratamento.
A órtese faz parte de um tratamento mais amplo
É importante entender que a órtese, por si só, raramente resolve o problema de forma completa. Ela é uma peça dentro de um plano de tratamento que pode incluir:
- Medicamentos anti-inflamatórios para controlar a dor e a inflamação aguda, conforme prescrição médica.
- Infiltração corticosteroide no túnel fibroso, que costuma trazer alívio significativo em muitos casos.
- Fisioterapia e terapia ocupacional da mão, para recuperar mobilidade, fortalecer a musculatura e aprender a adaptar os movimentos do trabalho.
- Orientações ergonômicas, que ajudam a modificar a forma de segurar instrumentos e posicionar o punho durante as tarefas profissionais.
Quando o tratamento clínico não é suficiente após um período adequado, a cirurgia pode ser uma opção discutida com o médico. O procedimento consiste em abrir o túnel fibroso para aliviar a pressão sobre os tendões — mas essa decisão é sempre individualizada e tomada em consulta.
O mais importante é não ignorar a dor. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores as chances de resposta ao tratamento conservador, sem necessidade de procedimentos mais invasivos.
Cuidados práticos para quem trabalha com as mãos e sente dor no polegar
Enquanto a avaliação médica não acontece — ou como complemento ao tratamento em curso —, algumas atitudes do dia a dia podem fazer diferença:
- Faça pausas regulares: interromper o trabalho por alguns minutos a cada hora reduz o acúmulo de tensão nos tendões.
- Observe a posição do seu punho: tente mantê-lo em posição neutra (nem dobrado para cima, nem para baixo) ao segurar alicates, tesouras e outros instrumentos.
- Evite apertar os instrumentos com força excessiva: muitas profissionais acabam fazendo isso sem perceber. Instrumentos bem afiados e de boa qualidade exigem menos força.
- Gelo local por 10 a 15 minutos após o trabalho pode ajudar a reduzir a inflamação, mas não substitui o tratamento médico.
- Não ignore sinais de piora: dor que aparece mesmo em repouso, inchaço visível ou dificuldade para mover o polegar são sinais de que a avaliação não pode mais esperar.
Cada caso é único. O que funciona bem para uma paciente pode não ser o ideal para outra, dependendo do estágio da inflamação, da rotina de trabalho e de fatores individuais de saúde. Por isso, a avaliação presencial com um especialista em mão continua sendo insubstituível.
Perguntas frequentes
Posso continuar trabalhando usando a órtese durante o tratamento?
Depende da intensidade da inflamação e do que o médico avaliar no seu caso. Em situações mais leves, trabalhar com a órtese pode ser viável. Em inflamações mais intensas, o repouso da área é fundamental para a recuperação. Essa decisão deve ser tomada em consulta, levando em conta a sua rotina e o estágio do problema.
Quanto tempo é necessário usar a órtese?
Não existe um prazo único que sirva para todos. Em geral, o uso é mantido enquanto houver dor significativa nas atividades e vai sendo reduzido conforme a melhora clínica. O acompanhamento médico é essencial para ajustar esse tempo de forma segura, sem interromper o uso antes do momento certo.
A órtese comprada em farmácia serve, ou precisa ser sob medida?
Órteses prontas podem funcionar em alguns casos, mas nem sempre oferecem o encaixe e a posição ideais para cada anatomia. Em muitas situações, uma órtese confeccionada sob medida por um terapeuta especializado em mão oferece melhor resultado. O médico pode indicar qual opção é mais adequada para o seu caso.
A dor no polegar é sempre tenossinovite de De Quervain?
Não. Outras condições, como artrose da base do polegar (rizartrose), cistos, tendinites de outros tendões e até alterações no nervo, podem causar dor em regiões próximas. Por isso, o diagnóstico correto — feito por um médico especialista, com exame clínico e, quando necessário, exames de imagem — é fundamental antes de iniciar qualquer tratamento.
Se eu parar de trabalhar por um tempo, a inflamação passa sozinha?
O repouso ajuda, mas em muitos casos não é suficiente para resolver completamente a inflamação, especialmente quando ela já está instalada há algum tempo. Além disso, ao retornar ao trabalho sem tratamento adequado e orientações ergonômicas, as chances de recidiva são altas. O ideal é buscar avaliação médica para um plano de tratamento completo.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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