De Quervain em quem usa as mãos o dia todo: entenda
A tenossinovite de De Quervain é uma inflamação nos tendões do polegar que causa dor no lado do punho — e é especialmente comum em quem repete os mesmos movimentos das mãos horas a fio, como costureiras, bordadeiras e pessoas que digitam muito.
O que é a tenossinovite de De Quervain, em palavras simples
Imagine dois tendões que correm pelo lado do polegar até o punho, dentro de uma espécie de túnel estreito feito de tecido fibroso. Esses tendões são responsáveis por abrir o polegar para o lado e por estendê-lo — movimentos que fazemos dezenas de vezes por minuto sem nem perceber.
Quando esses tendões ficam sobrecarregados, eles incham. O problema é que o túnel ao redor deles não estica junto. Resultado: atrito, irritação e dor. Esse processo inflamatório tem nome: tenossinovite de De Quervain, batizado em homenagem ao cirurgião suíço Fritz de Quervain, que descreveu a condição no século XIX.
A dor costuma aparecer bem na base do polegar, perto do punho, e pode irradiar para o antebraço. Movimentos simples — como beliscar um tecido, girar uma agulha ou segurar um copo — viram fonte de desconforto.
Por que quem faz trabalho manual fino está mais exposto
Costureiras, bordadeiras, crocheterreiras e artesãs compartilham um padrão de movimento muito específico: pinça repetitiva com o polegar. Segurar uma agulha fina, puxar linha, ajeitar tecido, cortar com tesoura de precisão — cada um desses gestos solicita exatamente os tendões envolvidos na De Quervain.
O problema não é fazer o movimento uma vez. O problema é repeti-lo por horas, muitas vezes com força de preensão maior do que parece, especialmente em tecidos encorpados ou quando se trabalha contra a resistência do aro de bordado.
Quem digita muito também entra nesse grupo — não pela pinça em si, mas pelo movimento constante do polegar para acionar a barra de espaço e pelas posições estáticas que o punho assume sobre o teclado. Somado à tensão do cotidiano de trabalho, o resultado pode ser o mesmo: tendões irritados e punho dolorido.
- Costureiras e bordadeiras: pinça contínua com polegar e indicador
- Digitadores e desenvolvedores: posição estática do punho e uso intenso do polegar
- Artesãs em geral: movimentos repetitivos de torção e preensão fina
- Novos pais e mães: segurar o bebê com os polegares afastados é um gatilho clássico
Vale dizer que a condição não escolhe apenas profissionais: hobbies como crochê, tricô e até pintura em miniatura podem ser suficientes para desencadeá-la em pessoas com predisposição.
Como o corpo avisa que algo não vai bem
A De Quervain raramente aparece de surpresa. Ela costuma chegar aos poucos, e reconhecer os primeiros sinais faz toda a diferença.
- Dor ou sensibilidade no lado do polegar, próximo ao punho — às vezes descrita como uma fisgada ou queimação
- Inchaço visível nessa região, que pode ou não estar presente
- Dificuldade para fazer pinça — segurar itens pequenos vira um desafio
- Piora ao mover o polegar para longe da mão ou ao girar o punho
- Sensação de estralo ou travamento nos movimentos do polegar, em alguns casos
Um sinal muito citado é a dificuldade de abrir uma tampa de frasco ou de segurar uma caneta por tempo prolongado. Para quem costura, pode ser a percepção de que segurar a agulha ficou desconfortável ou que a mão cansa mais rápido do que antes.
Esses sinais, sozinhos, não confirmam nenhum diagnóstico — outros problemas podem causar dor parecida no punho. Por isso, uma avaliação com especialista é o caminho para entender o que está acontecendo de verdade.
O que acontece dentro do punho: a explicação por trás da dor
Para entender a De Quervain de vez, ajuda imaginar uma situação cotidiana: enfiar um pé em um sapato apertado e depois tentar caminhar. O pé até cabe, mas o atrito constante irrita a pele e causa bolhas.
Com os tendões do polegar acontece algo parecido. O retináculo extensor — esse túnel fibroso que envolve os tendões — tem uma espessura definida. Quando os tendões inflamam e aumentam de volume por dentro, cada movimento gera fricção. O tecido ao redor do tendão (chamado de bainha sinovial) produz líquido para tentar lubrificar, mas esse líquido em excesso contribui para o inchaço, e o ciclo se retroalimenta.
Com o tempo, a bainha pode ficar espessada e endurecida. É por isso que a condição tende a piorar se ignorada: o que começa como uma leve irritação pode se tornar uma dor constante que interfere até nas tarefas mais simples do dia.
Fatores que podem intensificar esse processo
- Trabalhar sem pausas regulares para descanso das mãos
- Posição inadequada do punho durante a atividade
- Aumento repentino na carga de trabalho — como uma grande encomenda ou prazo apertado
- Alterações hormonais, como as que ocorrem na gravidez e na amamentação
- Histórico de lesões anteriores na região do punho ou polegar
Quando procurar um especialista em mãos
A dor que persiste por mais de alguns dias, que volta sempre depois de trabalhar ou que começa a atrapalhar atividades fora do trabalho merece atenção profissional. Não é exagero — é prevenção.
O cirurgião de mão é o especialista mais indicado para avaliar esse tipo de queixa, pois tem formação específica nas estruturas da mão, do punho e do antebraço. A avaliação inclui o exame físico, a análise dos movimentos e, quando necessário, exames de imagem para entender o grau do envolvimento dos tendões.
A Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão em São Paulo, atende pacientes com queixas exatamente como as descritas neste artigo. Se você se identificou com algum dos sinais ao longo da leitura, agendar uma avaliação é o primeiro passo para entender o que está acontecendo com o seu punho e discutir as opções disponíveis.
Lembre-se: apenas a consulta presencial permite um diagnóstico correto. Este artigo existe para informar e orientar — não para substituir o olhar clínico de um profissional.
Perguntas frequentes
Posso continuar costurando ou digitando se estiver com dor no punho?
Continuar a atividade que provoca dor tende a prolongar o processo inflamatório. O ideal é buscar avaliação com um especialista antes de decidir o que fazer, pois ele pode orientar sobre limitações temporárias, adaptações de postura e outras medidas enquanto o tratamento acontece.
A tenossinovite de De Quervain tem cura?
Muitos pacientes respondem bem ao tratamento e conseguem retomar as atividades com conforto. Não é possível prometer resultados individuais, pois cada caso tem características próprias. O importante é que existem abordagens terapêuticas disponíveis, e o especialista vai indicar a mais adequada para cada situação.
Como o médico descobre se é De Quervain ou outra coisa?
O diagnóstico começa pelo exame clínico, com o médico avaliando a localização exata da dor, os movimentos que a provocam e a sensibilidade da região. Há um teste específico, feito na própria consulta, que ajuda muito. Em alguns casos, exames de imagem como ultrassonografia complementam a avaliação.
Só quem trabalha muito com as mãos pode ter De Quervain?
Não. Embora o trabalho manual repetitivo seja um fator de risco importante, a condição também pode aparecer em pessoas com alterações hormonais, após a chegada de um bebê (pelo jeito de segurar a criança) ou sem uma causa claramente identificada. Por isso, o histórico completo contado na consulta é tão valioso.
Compressas de gelo ou calor ajudam na dor?
Compressas de gelo podem trazer alívio temporário em episódios de dor mais intensa, mas não tratam a causa do problema. Calor excessivo sobre uma região inflamada pode ser contraproducente. Essas medidas são paliativas e não substituem a avaliação e o tratamento indicados por um especialista.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
Está com esses sintomas?
Agende uma avaliação com a Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão em São Paulo.
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