Dra. Rosana Endo
Dra. Rosana Endo
Dra. Rosana Endo
Cirurgiã de mão · CRM-SP 155849 · RQE 63923 · RQE 114843 · 24/08/2026

Dor no Punho ao Pegar o Bebê: De Quervain no Pós-Parto

A dor no lado do punho que aparece ao pegar ou amamentar o bebê tem nome: tenossinovite de De Quervain. Na maioria dos casos, é possível tratar sem cirurgia — quanto antes iniciado o cuidado, maiores as chances de recuperação com medidas conservadoras.

Por que novas mães desenvolvem essa dor no punho?

Nos primeiros meses após o parto, o corpo passa por mudanças hormonais intensas que deixam os tendões mais suscetíveis à inflamação. Ao mesmo tempo, os movimentos repetitivos de pegar, segurar e amamentar o bebê sobrecarregam dois tendões que passam pela base do polegar — o abdutor longo e o extensor curto do polegar.

Quando esses tendões ficam inflamados dentro de uma bainha estreita (chamada de bainha tendinosa), surge a tenossinovite de De Quervain. O resultado é uma dor aguda ou em queimação no lado do punho próximo ao polegar, que pode irradiar para o antebraço ou para a ponta do dedo.

Durante a gravidez, a retenção de líquidos já pode pressionar essa região. No pós-parto, a combinação de hormônios do aleitamento, privação de sono e os esforços repetitivos com as mãos cria um cenário muito propício para o surgimento da condição. Por isso, ela é tão comum entre mães de recém-nascidos — e frequentemente confundida com um simples cansaço de punho.

Como identificar: sinais que merecem atenção

A dor de De Quervain tem características bastante específicas. Se você percebe algum dos sinais abaixo, vale conversar com um especialista em cirurgia da mão:

Um sinal clínico muito usado pelos médicos é o teste de Finkelstein: dobra-se o polegar dentro da palma, fecha-se o punho sobre ele e inclina-se a mão em direção ao dedo mínimo. Se essa manobra reproduzir a dor característica, é um indício importante — mas apenas uma avaliação presencial pode confirmar o diagnóstico.

Tratamento sem cirurgia: o que realmente funciona

A boa notícia é que a grande maioria das pessoas com De Quervain melhora com tratamento conservador, sem precisar de procedimento cirúrgico. O ponto-chave é começar cedo e ser consistente nas medidas indicadas.

Imobilização com órtese

Uma órtese (tipoia) específica para o punho e o polegar ajuda a reduzir o movimento que mais agride os tendões inflamados. Ela pode ser usada durante as atividades com o bebê e, em alguns casos, também à noite. O modelo e o tempo de uso são definidos pelo médico.

Fisioterapia e terapia ocupacional

O fisioterapeuta pode usar recursos como ultrassom terapêutico, laser e exercícios de mobilização dos tendões para reduzir a inflamação e restaurar o movimento sem dor. A terapia ocupacional ensina como reorganizar as tarefas do dia a dia — incluindo a forma de pegar e amamentar o bebê — para proteger os tendões enquanto eles se recuperam.

Infiltração com corticosteroide

Quando a dor é intensa ou não responde às medidas iniciais, a infiltração local com corticosteroide é uma opção eficaz e segura. A substância é injetada diretamente na bainha tendinosa, reduzindo a inflamação de forma concentrada. Para mães que amamentam, o médico avalia cuidadosamente o tipo e a dose do medicamento.

Medicamentos anti-inflamatórios

O uso de anti-inflamatórios orais ou tópicos pode complementar o tratamento em determinadas fases. Na gravidez e na amamentação, a indicação precisa ser feita com muito critério pelo médico, considerando a segurança para o bebê.

A cirurgia fica reservada para casos em que o tratamento conservador não trouxe melhora satisfatória após um período adequado. Mesmo nesses casos, o procedimento é simples e com boa recuperação — mas o objetivo inicial é sempre evitá-la.

Como pegar o bebê sem agravar a dor: ajustes práticos

Pequenas mudanças na forma como você manuseia o bebê podem fazer uma diferença enorme na recuperação. Não se trata de não pegar o filho — mas de aprender a distribuir melhor o esforço pelas mãos.

Prefira a palma ao polegar

Em vez de sustentar a cabeça do bebê com o polegar afastado (o clássico gesto em "V" ou em "L"), tente apoiá-lo com a palma inteira da mão. Essa mudança reduz a tensão direta nos tendões afetados.

Use os dois braços em conjunto

Distribuir o peso do bebê entre os dois antebraços, como uma "ponte", alivia a sobrecarga em cada punho individualmente. Almofadas de amamentação também ajudam a manter o bebê elevado sem que os braços e punhos sustentem todo o peso.

Apoie o cotovelo ao amamentar

Amamentar com o braço no ar, sem apoio, força muito o punho. Usar uma almofada de amamentação ou apoiar o cotovelo em uma superfície firme mantém o punho em posição neutra e reduz o esforço.

Peça ajuda para tarefas que exigem pinça

Fechar fralda com fita adesiva, abrir embalagens e carregar bolsas pesadas sobrecarregam exatamente os tendões afetados. Sempre que possível, distribua essas tarefas com outras pessoas ao redor.

Faça pausas regulares

Intercalar momentos de repouso para os punhos durante o dia — mesmo que breves — ajuda os tendões a se recuperarem entre as atividades.

Prevenção durante a gravidez e no retorno às atividades

Algumas mulheres já chegam ao parto com os tendões sensíveis por causa das alterações hormonais da gestação. Estar atenta a esses sinais precoces e agir antes que a inflamação se instale pode evitar um quadro mais prolongado.

Reconhecer os primeiros sinais e buscar avaliação precocemente é a medida preventiva mais eficaz. Quanto mais cedo o tratamento começa, mais rápida e completa tende a ser a recuperação.

Quando procurar a Dra. Rosana Endo para avaliação

Se você está grávida ou acabou de ter um bebê e percebe dor persistente no lado do punho — especialmente ao pegar ou segurar a criança —, esse sinal não deve ser ignorado nem tratado como "normal do pós-parto".

A Dra. Rosana Endo é cirurgiã de mão com experiência no tratamento de tenossinovites, e avalia cada caso de forma individualizada, considerando o momento da gestação, a amamentação e a rotina de cada mãe. O objetivo é sempre encontrar o caminho mais seguro e eficaz para cada situação.

Uma consulta presencial é o único jeito de confirmar o diagnóstico, descartar outras causas de dor no punho e montar um plano de tratamento adequado para você. Não espere a dor se tornar limitante para buscar ajuda — quanto antes, melhor para os seus tendões e para o seu tempo com o bebê.

Perguntas frequentes

Posso continuar amamentando se tiver De Quervain?

Sim, na grande maioria dos casos o aleitamento pode continuar normalmente. O que muda é a forma de posicionar o bebê e apoiar o punho durante as mamadas. Quando medicamentos são necessários, o médico escolhe opções compatíveis com a amamentação. A decisão é sempre individualizada e discutida em consulta.

A dor de De Quervain passa sozinha depois que o bebê cresce?

Em alguns casos mais leves, a melhora ocorre quando o bebê começa a ficar mais independente e a frequência dos movimentos repetitivos diminui. No entanto, sem tratamento adequado, muitas mulheres convivem com a dor por meses ou ela retorna com frequência. Tratar corretamente desde o início tende a resultar em recuperação mais rápida e duradoura.

A infiltração é segura para quem amamenta?

A infiltração com corticosteroide é considerada uma opção segura para a maioria das mães que amamentam, mas a decisão deve ser tomada pelo médico, que avaliará o tipo de corticosteroide, a dose e o intervalo adequado. Em consulta, a Dra. Rosana Endo pode esclarecer todas as dúvidas específicas sobre o seu caso.

Como diferenciar De Quervain de dor de punho por digitação ou por outras causas?

A localização da dor — na lateral do punho, do lado do polegar — e o fato de ela piorar ao afastar ou dobrar o polegar são características bastante específicas da De Quervain. Outras condições, como síndrome do túnel do carpo ou artrite, têm padrões de dor diferentes. Apenas um exame clínico presencial, e eventualmente exames de imagem, permite distinguir com precisão.

A cirurgia para De Quervain é muito invasiva?

Quando indicada, a cirurgia para De Quervain é um procedimento relativamente simples, feito com anestesia local, que libera a bainha tendinosa estreitada. A recuperação costuma ser bem tolerada. Mas o objetivo inicial do tratamento é sempre evitar a cirurgia por meio de medidas conservadoras — e isso é alcançado com sucesso na maioria dos casos.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.

Está com esses sintomas?

Agende uma avaliação com a Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão em São Paulo.