Cirurgia de Suspensão do Polegar na Rizartrose
A rizartrose é a artrose da articulação na base do polegar e causa dor, fraqueza e dificuldade para fazer tarefas simples do dia a dia. Quando o tratamento clínico não é suficiente, a cirurgia de suspensão do polegar é uma das opções avaliadas pelo cirurgião de mão.
O que é a rizartrose e por que ela aparece
A rizartrose é um tipo de artrose que afeta especificamente a articulação trapeziometacarpal — ou seja, o ponto onde o primeiro osso do polegar se encaixa no osso trapézio, bem na base da mão. Essa pequena articulação trabalha o tempo todo: ela permite que o polegar se mova em todas as direções, o que é essencial para segurar objetos, abrir potes, girar chaves e realizar incontáveis atividades cotidianas.
Com o passar dos anos, a cartilagem que reveste essa articulação vai se desgastando. A cartilagem funciona como uma almofada entre os ossos; quando ela se deteriora, os ossos começam a se atrito diretamente, gerando inflamação, dor e deformidade progressiva. Esse processo é chamado de artrose, e quando ocorre na base do polegar recebe o nome específico de rizartrose.
Além do envelhecimento natural, alguns fatores aumentam o risco de desenvolver a doença:
- Histórico de trabalho manual intenso ao longo da vida, como costura, jardinagem ou atividades que exigem pinça repetitiva;
- Predisposição genética, pois a doença tende a ocorrer em famílias;
- Sexo feminino, já que mulheres são afetadas com muito mais frequência, especialmente após a menopausa, quando mudanças hormonais influenciam os tecidos das articulações;
- Lesões antigas na articulação, como fraturas ou entorses mal tratados.
É importante saber que a rizartrose não é uma condição rara: ela é uma das formas mais comuns de artrose da mão em pessoas acima dos 60 anos. Reconhecer os sinais cedo faz diferença no acompanhamento e no planejamento do tratamento.
Como a rizartrose se manifesta no dia a dia
Os sintomas costumam surgir de forma lenta e gradual, o que faz com que muitas pessoas demorem a buscar ajuda. No começo, a dor aparece apenas durante esforços — ao abrir uma garrafa, torcer um pano ou segurar algo com firmeza. Com o tempo, a dor pode estar presente mesmo em repouso, especialmente à noite.
Outros sinais frequentes incluem:
- Fraqueza na pinça, dificultando tarefas que antes eram simples, como abrir embalagens ou segurar uma caneta;
- Inchaço e sensibilidade na base do polegar, muitas vezes visível como uma saliência óssea;
- Estalos ou crepitação ao movimentar o polegar;
- Deformidade progressiva, com o polegar assumindo uma posição diferente do normal ao longo dos anos;
- Dificuldade para realizar movimentos de pinça, como pegar moedas pequenas ou abotoar roupas.
Esses sintomas têm impacto direto na autonomia e na qualidade de vida, especialmente para idosos que vivem sozinhos ou que prezam muito pela independência nas atividades cotidianas. Se você se identifica com algum desses sinais, uma avaliação com especialista em mão é o próximo passo recomendado.
Quando o tratamento clínico não é suficiente
A rizartrose tem tratamento e, em muitos casos, é possível controlar bem os sintomas sem cirurgia. As abordagens iniciais costumam incluir:
- Uso de órtese (talas) para imobilizar e proteger a articulação durante as atividades;
- Medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos, conforme orientação médica;
- Infiltrações com corticoide na articulação, para reduzir a inflamação;
- Fisioterapia e terapia ocupacional para fortalecer e adaptar os movimentos.
No entanto, como a artrose é uma doença degenerativa, o desgaste da cartilagem não se reverte com essas medidas. Quando a dor persiste mesmo com o tratamento clínico bem conduzido, quando a função da mão está muito comprometida ou quando a qualidade de vida está seriamente afetada, o cirurgião de mão pode avaliar a indicação cirúrgica.
A decisão de operar nunca é tomada de forma impulsiva. Ela leva em conta o grau de comprometimento da articulação visto no exame de imagem, a saúde geral do paciente, as expectativas e, principalmente, o quanto a doença está interferindo na vida da pessoa. Cada caso é único e merece uma conversa cuidadosa com o especialista.
O que é a cirurgia de suspensão do polegar
A cirurgia de suspensão do polegar — também chamada de trapeziectomia com ligamentoplastia ou artroplastia de suspensão — é um dos procedimentos mais realizados para tratar a rizartrose em estágios avançados. O objetivo central é aliviar a dor e restaurar uma função funcional ao polegar, permitindo que a pessoa retome atividades cotidianas com mais conforto.
Como o procedimento funciona
De maneira simplificada, a cirurgia envolve a retirada do osso trapézio, que é justamente o osso desgastado na base do polegar. Com a remoção desse osso, elimina-se a fonte principal da dor — o contato direto entre superfícies ósseas sem cartilagem.
Para evitar que o polegar perca altura e fique instável após a retirada do trapézio, o cirurgião utiliza uma técnica de suspensão. Nessa etapa, um tendão — frequentemente retirado do próprio punho do paciente — é usado para criar um novo suporte para a base do polegar, mantendo-o em uma posição estável e funcional. É como se fosse construída uma nova âncora para segurar o polegar no lugar certo.
Como é a recuperação
Após a cirurgia, o polegar fica imobilizado por algumas semanas. A reabilitação com fisioterapia e terapia ocupacional é parte fundamental do processo: ela ajuda a recuperar a força, a mobilidade e a confiança nos movimentos. O tempo total de recuperação varia de pessoa para pessoa e deve ser discutido com a Dra. Rosana durante a consulta, considerando as particularidades de cada caso.
Vale destacar que resultados podem variar e nenhum procedimento cirúrgico oferece garantias absolutas. A avaliação individualizada é imprescindível para entender os riscos, benefícios e expectativas realistas para cada paciente.
Rizartrose em idosos: considerações especiais
Em pessoas mais velhas, o tratamento da rizartrose exige atenção redobrada a alguns aspectos importantes. A saúde geral do paciente — incluindo condições como diabetes, hipertensão e uso de anticoagulantes — influencia diretamente na escolha do tratamento e no planejamento cirúrgico.
A boa notícia é que a cirurgia de suspensão do polegar é amplamente realizada em pacientes idosos e, quando bem indicada, costuma trazer melhora significativa na qualidade de vida. Poder voltar a abrir uma garrafa, segurar um copo ou cuidar de netos sem dor faz toda a diferença no dia a dia de quem convive com essa condição há anos.
Alguns pontos que a Dra. Rosana considera ao avaliar um paciente idoso com rizartrose:
- Grau de comprometimento funcional: o quanto a dor e a limitação interferem nas atividades que a pessoa valoriza;
- Condições clínicas associadas que podem influenciar a anestesia e a cicatrização;
- Expectativas realistas: o objetivo não é recuperar a articulação de um jovem, mas alcançar um nível de função e conforto compatível com uma boa qualidade de vida;
- Suporte para a reabilitação: ter apoio de familiares ou cuidadores durante a recuperação facilita muito o processo.
Se você ou um familiar convive com dor no polegar há algum tempo, agendar uma avaliação com a Dra. Rosana Endo é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e quais são as opções disponíveis.
Perguntas frequentes
A cirurgia de suspensão do polegar é indicada para qualquer pessoa com rizartrose?
Não. A cirurgia é avaliada caso a caso, geralmente quando os tratamentos clínicos não controlam bem os sintomas e a qualidade de vida está comprometida. A indicação depende do estágio da doença, da saúde geral do paciente e de outros fatores que só podem ser avaliados em consulta com o especialista.
A dor desaparece completamente após a cirurgia?
A cirurgia tem como objetivo aliviar a dor e melhorar a função do polegar, mas resultados variam de pessoa para pessoa. Nenhum procedimento oferece garantia de cura total. Durante a consulta, a Dra. Rosana explica o que pode ser esperado de forma realista para cada situação.
Quanto tempo dura a recuperação após a cirurgia de suspensão do polegar?
A recuperação é gradual e envolve um período de imobilização seguido de fisioterapia. O tempo total pode variar de alguns meses, dependendo de fatores individuais como idade, saúde geral e comprometimento da articulação. Essa estimativa é discutida com detalhes durante a avaliação médica.
É possível tratar a rizartrose sem cirurgia?
Sim, e essa é sempre a primeira abordagem. Órteses, medicamentos, infiltrações e fisioterapia podem ajudar bastante, especialmente nos estágios iniciais e intermediários da doença. A cirurgia é considerada quando essas medidas não são suficientes para controlar os sintomas.
A rizartrose pode afetar os dois polegares ao mesmo tempo?
Sim, é possível que a artrose se desenvolva nos dois polegares, embora geralmente um lado seja mais afetado que o outro. O diagnóstico e o planejamento do tratamento são feitos separadamente para cada mão, levando em conta o grau de comprometimento de cada articulação.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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