Infiltração na Rizartrose: Quando Operar o Polegar
A infiltração pode aliviar a dor da rizartrose por meses, mas quando o desgaste é avançado ou a dor não cede, a cirurgia passa a ser a opção mais indicada. Cada caso precisa ser avaliado individualmente em consulta.
A base do polegar e o uso excessivo do celular
Quem passa horas rolando a tela do celular, digitando mensagens ou segurando o aparelho com uma só mão sabe bem o quanto o polegar trabalha. O que pouca gente percebe é que esse hábito cotidiano sobrecarrega uma articulação pequena, mas muito exigida: a trapézio-metacarpiana, localizada bem na base do polegar.
É exatamente ali que se desenvolve a rizartrose — uma forma de artrose que desgasta a cartilagem dessa articulação. Com o tempo, os movimentos de pinça, como segurar o celular, abrir uma garrafa ou girar uma chave, passam a doer. A dor começa discreta e vai ficando cada vez mais presente no dia a dia.
Importante: a rizartrose não é causada apenas pelo celular. Fatores genéticos, envelhecimento e trabalhos manuais repetitivos também contribuem. Mas o uso intenso de dispositivos digitais pode antecipar ou agravar os sintomas em pessoas que já têm predisposição.
Como a infiltração funciona e o que ela pode fazer por você
Quando os analgésicos comuns e a fisioterapia não conseguem controlar bem a dor, a infiltração na articulação é uma alternativa que pode oferecer alívio mais duradouro. O procedimento consiste na aplicação de um medicamento diretamente dentro da articulação afetada — geralmente um corticosteroide, às vezes combinado com um anestésico local.
A infiltração não cura a artrose nem reconstrói a cartilagem desgastada. O que ela faz é reduzir a inflamação local, o que alivia a dor e melhora a mobilidade por um período que pode variar de semanas a vários meses, dependendo do grau de desgaste e das características de cada pessoa.
Em quais situações ela costuma ser indicada?
- Dor que não melhora com medicação oral e fisioterapia
- Fase inflamatória aguda, com inchaço e calor na articulação
- Pacientes que querem postergar a cirurgia com qualidade de vida
- Casos em estágio inicial ou intermediário da doença
A decisão de realizar a infiltração — e quantas vezes repeti-la — é sempre tomada pelo médico após avaliar o histórico, os exames de imagem e os sintomas de cada paciente. Não existe um número fixo de infiltrações que funciona para todos.
Quando a infiltração não é mais suficiente
Com o avanço da artrose, a cartilagem vai se desgastando cada vez mais até que, em alguns casos, os ossos passam a se tocar diretamente. Nessa fase, a inflamação é constante, a dor aparece até em repouso e a força de pinça fica bastante comprometida. É nesse cenário que a infiltração tende a perder eficácia — os efeitos duram menos, ou deixam de aparecer.
Outros sinais que indicam que o tratamento conservador está no limite incluem:
- Deformidade visível na base do polegar, com projeção do osso para fora
- Dificuldade para realizar tarefas simples, como escrever ou abrir embalagens
- Perda significativa de força ao segurar objetos
- Dor que acorda a pessoa à noite
- Resposta cada vez menor às infiltrações anteriores
Esses sinais não significam que a cirurgia é urgente, mas indicam que uma avaliação especializada se tornou necessária para discutir os próximos passos.
A cirurgia da rizartrose: o que esperar
A cirurgia indicada com mais frequência para a rizartrose avançada é a trapeziectomia — a retirada do osso trapézio, que forma a articulação afetada. Em alguns casos, ela é associada à reconstrução de ligamentos ou ao uso de tendões para estabilizar a base do polegar.
O objetivo do procedimento é eliminar a fonte de atrito e dor, permitindo que o polegar volte a funcionar de forma mais confortável. A reabilitação é gradual e envolve imobilização por algumas semanas, seguida de fisioterapia para recuperar a força e a mobilidade.
Pontos importantes sobre a cirurgia
- É indicada principalmente nos estágios mais avançados, quando o tratamento conservador não oferece mais alívio adequado
- Os resultados variam de pessoa para pessoa — a confirmação do que esperar vem na consulta com o especialista
- A recuperação completa pode levar alguns meses
- Não existe garantia de resultado, mas muitos pacientes relatam melhora significativa da qualidade de vida após o procedimento
A Dra. Rosana Endo avalia cada caso de forma individualizada, considerando o grau de desgaste nos exames, os sintomas relatados e o estilo de vida da pessoa, antes de indicar qualquer tipo de intervenção cirúrgica.
O que você pode fazer enquanto aguarda a consulta
Se você sente dor na base do polegar e se identifica com os sintomas descritos aqui, algumas medidas simples podem ajudar a reduzir o desconforto no dia a dia — sem substituir a avaliação médica.
- Reduza o tempo de tela sem apoio: segure o celular com as duas mãos sempre que possível, distribuindo melhor a carga
- Use suportes e capas de celular com alça: acessórios que ajudam a segurar o aparelho sem exigir tanto do polegar
- Evite movimentos repetitivos de pinça por longos períodos sem pausas
- Aplique gelo na articulação durante episódios de dor mais intensa (15 minutos, com um pano protetor)
- Órteses de repouso para o polegar, que podem ser indicadas pelo médico, ajudam a estabilizar a articulação durante as crises
Essas estratégias são medidas de suporte e não tratamento. Elas podem aliviar os sintomas, mas não interrompem a progressão da artrose. Por isso, agendar uma avaliação com um especialista em mão continua sendo o passo mais importante.
Perguntas frequentes
Quantas infiltrações posso fazer na base do polegar?
Não existe um número padrão válido para todos. Em geral, o médico evita repetir infiltrações com corticosteroide em intervalos muito curtos, pois o uso excessivo pode prejudicar os tecidos ao redor. A frequência ideal é definida caso a caso, levando em conta a resposta de cada paciente e o grau de desgaste da articulação.
A infiltração dói muito?
A aplicação causa um desconforto breve, semelhante a qualquer injeção. Muitos médicos utilizam um anestésico local junto ao medicamento, o que reduz bastante a sensação durante o procedimento. Nos dias seguintes, pode haver leve dor no local, que costuma passar rapidamente.
O celular realmente piora a rizartrose?
O uso intenso do celular não cria a artrose do zero, mas pode agravar os sintomas em pessoas que já têm predisposição ou desgaste na articulação. Movimentos repetitivos de pinça e a posição de segurar o aparelho por longos períodos sobrecarregam a base do polegar. Reduzir esse esforço faz parte do cuidado, mas não substitui o tratamento médico.
Como saber se meu caso já precisa de cirurgia?
Apenas uma avaliação presencial com exames de imagem permite definir isso com precisão. De forma geral, a cirurgia é considerada quando o desgaste é avançado, a dor é constante mesmo em repouso, há deformidade visível e o tratamento conservador — incluindo fisioterapia e infiltrações — não oferece mais alívio adequado.
Após a cirurgia, vou recuperar toda a força do polegar?
A recuperação é gradual e individual. Muitos pacientes retomam boa parte da função e relatam melhora importante da dor, mas o resultado varia conforme o grau de desgaste antes da cirurgia, a adesão à reabilitação e as características de cada organismo. Resultados não podem ser garantidos — a Dra. Rosana Endo conversa sobre as expectativas realistas em cada consulta.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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