Dra. Rosana Endo
Dra. Rosana Endo
Dra. Rosana Endo
Cirurgiã de mão · CRM-SP 155849 · RQE 63923 · RQE 114843 · 23/07/2026

Rizartrose: cirurgia e cuidados para quem trabalha com as mãos

A rizartrose é a artrose que afeta a articulação na base do polegar, causando dor e dificuldade em pinçar e segurar objetos — um problema especialmente limitante para costureiras, bordadeiras e quem faz trabalhos manuais finos. Conhecer as opções de tratamento, incluindo a cirurgia, e as adaptações práticas pode fazer grande diferença na qualidade de vida.

O que acontece na base do polegar quando a artrose avança

A articulação trapeziometacarpal fica entre o osso trapézio do punho e o primeiro metacarpo — é ela que permite ao polegar girar, pinçar e se opor aos outros dedos. Na rizartrose, a cartilagem que reveste essa articulação vai se desgastando com o tempo, fazendo com que os ossos passem a trabalhar sem a proteção adequada.

O resultado é uma dor característica na base do polegar que piora justamente nos movimentos mais repetitivos do trabalho manual: segurar a agulha, virar tecido, cortar com tesoura ou apertar o prendedor de bordado. Com a progressão, pode surgir um abaulamento visível na base do polegar e uma sensação de fraqueza no pinçamento.

Nem toda dor nessa região é rizartrose, e nem toda rizartrose tem o mesmo grau de comprometimento. Por isso, uma avaliação clínica e de imagem com a especialista é sempre o ponto de partida antes de qualquer decisão sobre o tratamento.

Quando o tratamento conservador já não é suficiente

A maioria das pessoas começa o tratamento com medidas não cirúrgicas: uso de órtese (uma espécie de imobilizador para a base do polegar), medicamentos anti-inflamatórios, fisioterapia e, em alguns casos, infiltração com corticoide ou ácido hialurônico. Essas abordagens podem reduzir bastante a dor e prolongar a função da articulação por meses ou anos.

No entanto, quando a dor persiste mesmo com o tratamento conservador bem conduzido, quando a força do pinçamento cai de forma significativa ou quando o desgaste articular é avançado nas imagens, a cirurgia passa a ser uma conversa importante.

O sinal mais comum de que chegou a hora de avaliar a opção cirúrgica é a perda da capacidade de realizar as atividades cotidianas — como segurar uma linha, abotoar uma roupa ou simplesmente girar uma maçaneta — mesmo após meses de tratamento clínico adequado.

Opções cirúrgicas para a rizartrose: o que existe hoje

A cirurgia da rizartrose tem como objetivo aliviar a dor e preservar — ou recuperar — a função do polegar. Existem diferentes técnicas, e a escolha depende do estágio da doença, da idade, do nível de atividade e das expectativas de cada pessoa. Todas essas variáveis são avaliadas individualmente pela cirurgiã de mão.

Trapeziectomia com ou sem ligamentoplastia

A técnica mais consagrada consiste na retirada do osso trapézio, que é o principal responsável pela dor na articulação desgastada. Em muitos casos, realiza-se também uma reconstrução ligamentar usando um tendão da própria pessoa (ligamentoplastia), para dar maior estabilidade ao polegar após a remoção do osso. Estudos de longo prazo mostram bons resultados funcionais com essa abordagem.

Artrodese (fusão articular)

Nessa técnica, os ossos da articulação são unidos de forma definitiva, eliminando o movimento naquele ponto — e, consequentemente, a dor. É uma opção considerada especialmente em pacientes mais jovens ou com atividade física intensa. A limitação de movimento é real, mas muitas pessoas adaptam-se bem, pois os demais movimentos do polegar compensam bastante.

Artroplastia com implante

Consiste na substituição da articulação desgastada por um implante, de forma semelhante ao que ocorre no joelho ou no quadril. Os materiais e designs têm evoluído, mas essa opção ainda é avaliada com cautela em pessoas mais jovens ou com atividade manual intensa, justamente por questões de durabilidade do implante a longo prazo.

Nenhuma técnica é universalmente superior — a escolha ideal é sempre personalizada, discutida entre a paciente e a especialista após avaliação completa.

Recuperação pós-cirúrgica: o que esperar no dia a dia

Após a cirurgia, um período de imobilização é esperado — geralmente com uso de órtese ou gessado por algumas semanas. A fisioterapia tem papel fundamental na reabilitação, ajudando a recuperar mobilidade, força e coordenação do polegar.

Para costureiras e artesãs, a expectativa de retorno ao trabalho fino costuma ser entre três e seis meses, dependendo da técnica utilizada e da evolução individual. Esse prazo existe porque o tecido cicatricial precisa amadurecer e a musculatura precisa ser retreinada para as demandas do trabalho manual.

Durante a recuperação, adaptar a rotina é essencial:

O retorno à atividade plena é gradual, e respeitar esse processo faz diferença no resultado final.

Exercícios e adaptações para quem trabalha com as mãos todos os dias

Para quem ainda está em tratamento conservador — ou já passou pela cirurgia e voltou às atividades —, alguns exercícios e adaptações práticas ajudam a proteger a base do polegar durante o trabalho manual fino. Sempre converse com a especialista antes de iniciar qualquer exercício, especialmente no pós-operatório.

Exercícios que podem ajudar (com liberação profissional)

Adaptações práticas para costureiras e artesãs

Por que costureiras e artesãs merecem atenção especial

O trabalho manual fino exige do polegar algo que nenhuma outra articulação da mão consegue fazer: o pinçamento preciso e repetitivo. Agulha, linha, tecido e tesoura envolvem centenas de movimentos em cada hora de trabalho — e a articulação na base do polegar é a protagonista de todos eles.

Isso significa que, para esse grupo, a rizartrose tende a se manifestar de forma mais intensa e mais cedo, e o impacto na vida profissional e criativa é proporcional. Muitas costureiras relatam não conseguir mais trabalhar com a mesma precisão, ou precisar parar no meio de um projeto por causa da dor — o que afeta não só a renda, mas a identidade e o prazer no trabalho.

Reconhecer esse contexto é parte do cuidado. Quando a Dra. Rosana avalia uma costureira ou bordadeira, a rotina de trabalho e as demandas específicas da atividade fazem parte da conversa — porque o objetivo não é apenas aliviar a dor, mas devolver a função que esse trabalho exige.

Se você sente dor na base do polegar durante ou após o trabalho manual, vale agendar uma avaliação. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, mais amplo é o leque de opções disponíveis.

Perguntas frequentes

A cirurgia de rizartrose é indicada para qualquer grau da doença?

Não. A cirurgia costuma ser considerada quando o tratamento conservador — órtese, fisioterapia, medicamentos e infiltrações — não trouxe alívio suficiente após um período adequado de tratamento, ou quando o desgaste articular é muito avançado. O grau da doença, a idade, o nível de atividade e os objetivos da paciente são avaliados individualmente pela cirurgiã antes de qualquer indicação.

Vou conseguir voltar a costurar ou fazer bordado após a cirurgia?

O retorno ao trabalho manual fino é um dos objetivos do tratamento, mas o prazo e o resultado dependem de vários fatores individuais — a técnica cirúrgica utilizada, a adesão à reabilitação e as características de cada pessoa. Não é possível garantir resultados, mas a recuperação da função do polegar é sempre trabalhada com muito cuidado na reabilitação. Converse com a Dra. Rosana sobre suas atividades específicas para ter uma orientação personalizada.

Qual a diferença entre artrodese e trapeziectomia para a rizartrose?

Na trapeziectomia, o osso trapézio é removido, eliminando a superfície articular desgastada — o polegar mantém mobilidade, mas perde um pouco de apoio ósseo. Na artrodese, os ossos são fundidos, o que elimina a dor naquele ponto, mas também o movimento daquela articulação específica. Cada técnica tem indicações e vantagens diferentes; a escolha certa depende de uma avaliação detalhada com a especialista.

Posso fazer exercícios para o polegar em casa sem consultar um médico?

Exercícios muito suaves de mobilidade, como abrir e fechar a mão devagar, raramente causam problemas — mas qualquer programa de exercícios específico para a articulação doente deve ser orientado por um profissional de saúde. Isso é especialmente importante no pós-operatório, quando o tipo e a intensidade do exercício precisam respeitar a fase de cicatrização. O ideal é que a fisioterapia seja acompanhada em parceria com a cirurgiã responsável.

O uso de órtese pode dispensar a cirurgia?

Em muitos casos, a órtese ajuda a controlar a dor por um longo período, especialmente quando usada durante o trabalho manual e à noite. Ela não reverte o desgaste da cartilagem, mas pode reduzir a inflamação e a sobrecarga articular. Para algumas pessoas, essa abordagem é suficiente por anos; para outras, a progressão da doença leva à necessidade de intervenção cirúrgica. Só uma avaliação individualizada pode orientar qual caminho faz mais sentido para cada caso.

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.

Está com esses sintomas?

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