Rizartrose: quando a cirurgia é necessária e quando não é
A rizartrose — artrose na base do polegar — pode ser tratada sem cirurgia na maioria dos casos, especialmente nas fases iniciais. A cirurgia existe e oferece bons resultados, mas a decisão depende de uma avaliação individualizada com especialista em mão.
O que acontece com o polegar de quem tem rizartrose
A base do polegar tem uma articulação chamada trapeziometacarpal — um nome complicado para um lugar simples: exatamente onde o dedo se conecta ao punho. Essa articulação permite que o polegar se mova em várias direções, o que é essencial para segurar, apertar, torcer e pinçar.
Na rizartrose, a cartilagem que protege os ossos dessa articulação vai se desgastando com o tempo. Quando isso acontece, os ossos começam a se atritar, causando dor, inchaço e, progressivamente, dificuldade para realizar movimentos que antes eram automáticos — como abrir um pote, segurar uma ferramenta ou apertar um parafuso.
Para quem depende das mãos no trabalho — pedreiros, cabeleireiros, cozinheiros, costureiras, marceneiros, eletricistas, entre outros —, essa dor não é apenas um incômodo: ela afeta diretamente a capacidade de trabalhar e gerar renda.
Tratamento sem cirurgia: o ponto de partida para a maioria
A boa notícia é que muitas pessoas com rizartrose conseguem controlar a dor e manter uma qualidade de vida satisfatória sem passar por uma cirurgia. O tratamento conservador — como chamamos as abordagens não cirúrgicas — costuma ser o primeiro passo, independentemente da profissão.
Órtese (tipoia ou imobilizador do polegar)
Uma das medidas mais eficazes nas fases iniciais é o uso de uma órtese específica para a base do polegar. Ela reduz o movimento da articulação afetada, diminuindo o atrito e, consequentemente, a dor. Não precisa ser usada o tempo todo: muitas pessoas a utilizam durante as atividades de maior esforço ou durante o sono.
Fisioterapia e terapia ocupacional
Um programa de reabilitação orientado por profissionais especializados ajuda a fortalecer os músculos ao redor da articulação, melhorar a postura da mão e ensinar formas de realizar as tarefas do dia a dia com menos sobrecarga no polegar. Para quem faz trabalho braçal, essa adaptação de movimento pode fazer grande diferença.
Medicamentos e infiltração
Anti-inflamatórios e analgésicos podem ser indicados pelo médico para as fases de crise. Em alguns casos, a infiltração local com corticoide oferece alívio mais duradouro da inflamação. Essas decisões são sempre individuais e precisam de prescrição médica.
Importante: o tratamento conservador não reverte o desgaste da cartilagem, mas pode controlar os sintomas por meses ou anos. A evolução varia muito de pessoa para pessoa.
Quando o tratamento sem cirurgia não é mais suficiente
Nem sempre as medidas conservadoras conseguem manter a dor sob controle. Com o avanço da artrose, a articulação pode se deformar, a força de pinça diminui significativamente e a dor passa a estar presente mesmo em repouso — não só durante o trabalho.
Nesses casos, a cirurgia entra como uma alternativa para restaurar função e qualidade de vida. A indicação cirúrgica considera vários fatores:
- Grau de desgaste articular — avaliado por exame de imagem e pelo exame clínico
- Intensidade da dor — especialmente se não responde mais ao tratamento conservador
- Limitação funcional — quanto a condição afeta o trabalho e as atividades cotidianas
- Tempo de tratamento conservador já realizado — a cirurgia raramente é o primeiro recurso
Para quem faz trabalho braçal, a decisão pode ser ainda mais delicada: a recuperação pós-operatória exige um período de afastamento das atividades de esforço, o que precisa ser planejado com antecedência.
Opções cirúrgicas para a rizartrose: o que existe hoje
Existe mais de uma técnica cirúrgica para tratar a rizartrose, e a escolha depende do estágio da doença, das características individuais do paciente e da avaliação do cirurgião de mão. Nenhuma cirurgia é indicada de forma genérica — cada caso pede uma análise específica.
Trapeziectomia
É a técnica mais realizada para rizartrose avançada. Consiste na retirada do osso trapézio, que é justamente o osso desgastado na base do polegar. Após a remoção, o espaço pode ser preenchido com um tendão do próprio paciente (procedimento chamado de ligamentoplastia), o que ajuda a estabilizar o polegar e preservar a altura da articulação.
Artrodese
Nessa técnica, os ossos da articulação são fixados em uma posição funcional, eliminando o movimento — e, com ele, a dor causada pelo atrito. É uma opção mais considerada em pacientes mais jovens, com grande demanda de força, como trabalhadores braçais, pois oferece estabilidade e permite carga. A perda de mobilidade é real, mas muitos pacientes relatam boa adaptação no dia a dia.
Artroplastia com implante
Consiste na substituição da articulação danificada por um implante. É menos comum para o polegar do que em outras articulações, mas pode ser uma alternativa em casos selecionados. Tem limitações quanto à durabilidade em pacientes com alta demanda de esforço manual.
O acompanhamento pós-operatório com fisioterapia é parte fundamental de qualquer uma dessas cirurgias. A recuperação total pode levar alguns meses, e retornar às atividades braçais de forma segura depende do ritmo individual de cada pessoa.
O que considerar antes de decidir pelo caminho cirúrgico
A cirurgia não é sinônimo de solução imediata, nem o tratamento conservador é sinônimo de resignação. Ambos têm seu lugar e seu momento certo.
Antes de qualquer decisão, algumas perguntas fazem sentido discutir com a especialista:
- Há quanto tempo os sintomas estão presentes e como evoluíram?
- O tratamento conservador foi realizado de forma adequada e por tempo suficiente?
- Qual é o impacto real da condição no trabalho e na vida diária?
- Existe uma janela viável para o período de recuperação pós-operatória?
- Quais são as expectativas realistas com cada abordagem?
A Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão com ampla experiência nesse tipo de condição, pode avaliar seu caso com cuidado e apresentar as opções mais adequadas para a sua realidade. Agendar uma consulta é o primeiro passo para entender de onde você está e para onde pode ir.
Perguntas frequentes
Quem faz trabalho braçal tem mais chance de precisar de cirurgia?
Não necessariamente. O trabalho braçal pode acelerar o desgaste ou agravar os sintomas, mas isso não significa que a cirurgia será inevitável. Muitas pessoas conseguem controlar a rizartrose com medidas conservadoras por bastante tempo, especialmente quando o diagnóstico é feito cedo e o tratamento é iniciado de forma adequada.
Posso continuar trabalhando durante o tratamento conservador?
Em geral, sim — com adaptações. O uso de órtese durante as atividades de maior esforço, a orientação de fisioterapeutas sobre postura e movimento, e o manejo da dor com medicação são estratégias que permitem manter o trabalho na maioria dos casos. O ideal é discutir com a médica as adaptações específicas para a sua função.
Após a cirurgia de rizartrose, quando posso voltar ao trabalho braçal?
O tempo de retorno varia conforme a técnica cirúrgica utilizada, a evolução individual de cada paciente e as exigências físicas do trabalho. De forma geral, atividades que exigem força no polegar levam mais tempo para ser retomadas com segurança. A equipe médica e de reabilitação orientará esse processo de forma personalizada.
A rizartrose tem cura?
A artrose é uma condição degenerativa — o desgaste da cartilagem não se reverte. O objetivo do tratamento, seja conservador ou cirúrgico, é controlar a dor, preservar a função e melhorar a qualidade de vida. Muitas pessoas vivem bem com a condição, com o manejo adequado.
Como saber qual estágio da rizartrose eu tenho?
O estágio da rizartrose é determinado por meio de exame clínico e de imagem, geralmente radiografias. Cada estágio tem características específicas e orienta as decisões de tratamento. Essa avaliação só pode ser feita por um médico especialista em consulta presencial.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
Está com esses sintomas?
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