Rizartrose: desgaste na base do polegar diagnosticado
Rizartrose é o desgaste da cartilagem da articulação trapézio-metacarpal, na base do polegar. O diagnóstico combina avaliação clínica com testes específicos e radiografia. Estudos indicam que ela afeta mais mulheres após os 40 anos e tem tratamento eficaz, conservador ou cirúrgico.
O que é rizartrose e por que ela afeta tanto mulheres acima dos 40?
- Rizartrose é a artrose da articulação trapézio-metacarpal, onde o osso trapézio do punho se encontra com o primeiro metacarpo (a base do polegar).
- A cartilagem que amortece essa articulação se desgasta progressivamente, causando dor, estalos e perda de força na pinça do polegar.
- Mulheres após a menopausa são as mais afetadas: estudos indicam que a condição é até dez vezes mais frequente no sexo feminino após os 40 anos, possivelmente por influência hormonal no colágeno articular.
- O desgaste se agrava com movimentos repetitivos de pinça e torção — como abrir potes, escrever ou costurar.
- O diagnóstico precoce amplia as opções de tratamento e retarda a progressão da doença.
A articulação trapézio-metacarpal é a mais móvel do polegar, o que a torna especialmente vulnerável ao desgaste ao longo dos anos. Por isso, a rizartrose é uma das artroses de mão mais comuns em mulheres na faixa etária dos 40 aos 70 anos.
Quais os sintomas do desgaste na base do polegar que indicam rizartrose?
A dor é o sintoma mais marcante e costuma se localizar exatamente na base do polegar — aquela região carnuda em formato de triângulo chamada eminência tenar. Ela piora ao segurar objetos pequenos, girar chaves ou apertar tampas.
Outros sinais comuns incluem:
- Estalos ou crepitação ao mover o polegar, causados pelo atrito entre as superfícies articulares desgastadas.
- Fraqueza na pinça: dificuldade de prender objetos entre o polegar e o indicador.
- Inchaço localizado na base do polegar, especialmente após esforço.
- Deformidade progressiva: em estágios avançados, o polegar pode assumir uma postura em Z, com a base projetada para fora e a ponta dobrada para dentro.
Nos estágios iniciais, a dor aparece apenas durante o esforço e melhora com repouso. Com o avanço do desgaste, a dor passa a ocorrer mesmo em repouso e à noite, afetando o sono e as atividades cotidianas.
Como é feito o diagnóstico da rizartrose na articulação trapézio-metacarpal?
O diagnóstico da rizartrose é essencialmente clínico e radiográfico, realizado em consulta com especialista em cirurgia da mão. Não existe um único exame que, isoladamente, confirme o diagnóstico — ele resulta da combinação de anamnese detalhada, exame físico e imagem.
Avaliação clínica e testes específicos
Durante a consulta, a médica avalia a localização e o padrão da dor, a história de atividades repetitivas e os antecedentes familiares. Em seguida, realiza testes físicos direcionados:
- Teste de Grind (moagem): a médica segura o primeiro metacarpo e aplica pressão axial com rotação suave. Dor e crepitação nesse movimento são fortemente sugestivos de desgaste articular na base do polegar.
- Teste de estresse em abdução: avalia a estabilidade dos ligamentos ao redor da articulação trapézio-metacarpal.
- Palpação direta: a pressão sobre a base do polegar reproduz a dor característica da rizartrose.
Radiografia: o exame de imagem fundamental
A radiografia das mãos em posições específicas — incluindo a incidência de Robert, com o polegar em rotação interna — permite visualizar o estreitamento do espaço articular, a formação de osteófitos (bicos de papagaio) e o grau de desgaste da cartilagem. Com base na imagem radiográfica, a doença é classificada em quatro estágios (classificação de Eaton e Littler), o que orienta diretamente a escolha do tratamento.
Outros exames de imagem
A ressonância magnética e a ultrassonografia são solicitadas em casos específicos, para avaliar os ligamentos ou identificar inflamação sinovial associada. Elas complementam, mas não substituem, a radiografia no estadiamento da rizartrose.
É importante destacar que nem sempre a intensidade da dor corresponde ao grau de desgaste visto na imagem: algumas pessoas com alterações radiográficas importantes têm poucos sintomas, enquanto outras sentem dor intensa com alterações ainda discretas.
Quais são as opções de tratamento para a rizartrose?
O tratamento é individualizado conforme o estágio do desgaste, a intensidade dos sintomas e o impacto nas atividades diárias. A abordagem começa sempre pelas medidas conservadoras.
Tratamento conservador
- Órtese (splint) para o polegar: uma órtese que estabiliza a articulação trapézio-metacarpal reduz o atrito e alivia a dor, especialmente nas atividades de pinça. Estudos indicam que a maioria das pessoas nos estágios iniciais apresenta melhora significativa dos sintomas com o uso regular da órtese.
- Fisioterapia e terapia ocupacional: exercícios para fortalecer a musculatura ao redor do polegar, melhorar a estabilidade articular e adaptar gestos do dia a dia.
- Infiltração articular: a injeção de corticoide na articulação trapézio-metacarpal proporciona alívio da inflamação e da dor em períodos de agudização.
- Adaptações ergonômicas: uso de utensílios com cabos mais largos, abridor de tampas e outras estratégias para reduzir a carga sobre a articulação.
Tratamento cirúrgico
Quando o tratamento conservador não controla os sintomas de forma satisfatória — ou quando o desgaste articular é avançado —, a cirurgia é indicada. A técnica mais utilizada é a trapeziectomia com ou sem reconstrução ligamentar, que consiste na retirada do osso trapézio e na reorganização dos tecidos ao redor para manter a estabilidade do polegar.
A recuperação pós-operatória costuma durar entre três e seis meses, com retorno progressivo às atividades. Na maioria dos casos operados, estudos indicam alívio significativo da dor e recuperação funcional satisfatória da pinça.
Quando procurar uma especialista em cirurgia da mão para dor na base do polegar?
Nem toda dor no polegar é rizartrose — tendinites, cistos e outras condições podem causar sintomas semelhantes. Por isso, a avaliação especializada é indispensável para um diagnóstico correto.
Procure uma especialista em cirurgia da mão se você apresentar:
- Dor persistente na base do polegar há mais de duas semanas, mesmo sem esforço intenso.
- Dificuldade para realizar tarefas simples como abrir potes, girar chaves ou segurar uma caneta.
- Sensação de fraqueza ou instabilidade ao usar o polegar.
- Inchaço ou deformidade visível na base do polegar.
- Dor que piora progressivamente ao longo dos meses.
O diagnóstico precoce faz diferença real: nos estágios iniciais, o tratamento conservador tem grande chance de controlar os sintomas e preservar a função articular por muitos anos. Aguardar até a dor se tornar insuportável frequentemente significa lidar com um desgaste mais avançado e com menos opções não cirúrgicas disponíveis.
A Dra. Rosana Endo realiza avaliação completa da rizartrose, com exame clínico dirigido e análise das imagens, para definir o melhor plano de tratamento para cada paciente. Agende sua consulta para receber um diagnóstico preciso e orientação personalizada.
Perguntas frequentes
Rizartrose tem cura ou só controle dos sintomas?
O desgaste articular da rizartrose é irreversível — a cartilagem destruída não se regenera. O objetivo do tratamento é controlar a dor, preservar a função e retardar a progressão. Com o tratamento adequado, a maioria das pessoas consegue manter boa qualidade de vida e realizar suas atividades cotidianas.
Dá para confirmar rizartrose só pela dor, sem fazer exame?
Não. A dor na base do polegar pode ter várias causas. O diagnóstico definitivo da rizartrose exige avaliação clínica com testes específicos e radiografia, feitos por uma especialista em cirurgia da mão. Autodiagnóstico pode levar a tratamentos inadequados e atrasar o cuidado correto.
Posso continuar fazendo as atividades normais com rizartrose?
Em geral sim, com adaptações. A especialista orienta quais atividades evitar e como adaptar gestos do dia a dia para reduzir a carga sobre a articulação. Forçar a articulação inflamada sem orientação pode acelerar o desgaste.
A infiltração na base do polegar dói muito?
A infiltração causa desconforto breve no momento da aplicação, mas é um procedimento rápido e bem tolerado pela maioria das pacientes. O alívio da dor articular nas horas e dias seguintes costuma superar o desconforto momentâneo do procedimento.
Depois da cirurgia de rizartrose, o polegar fica com menos força?
Logo após a cirurgia há um período de adaptação com redução temporária da força. Com a reabilitação adequada, estudos indicam que a maioria das pacientes recupera força funcional satisfatória e, principalmente, opera sem a dor que tinha antes — o que, na prática, representa grande ganho de qualidade de vida.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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