Rizartrose: quando a dor na base do polegar pede atenção
A rizartrose é uma artrose que afeta a articulação na base do polegar e pode causar dor, fraqueza e dificuldade para pinçar objetos — sintomas muito comuns em profissionais que usam as mãos de forma repetitiva, como manicures e cabeleireiras.
O que acontece na base do polegar quando a artrose se instala
A base do polegar abriga uma articulação chamada trapeziometacarpiana — o encontro entre o osso trapézio (no punho) e o primeiro metacarpo (o osso longo do polegar). Essa pequena articulação é responsável por movimentos que usamos dezenas de vezes por dia: pinçar, apertar, girar.
Com o tempo, o cartilagem que reveste essa articulação vai se desgastando. Quando isso acontece, os ossos começam a se friccionar, provocando inflamação, dor e, em casos mais avançados, deformidade visível na região. Esse processo é o que chamamos de rizartrose.
Mulheres são afetadas com muito mais frequência do que homens, especialmente após os 40 anos. E profissões que exigem movimentos repetitivos de pinça — como manicure e cabeleireira — podem acelerar ou intensificar esse desgaste.
Sinais que aparecem no dia a dia de manicures e cabeleireiras
No início, a dor pode parecer apenas cansaço normal depois de um dia longo de trabalho. Mas há sinais que merecem atenção especial:
- Dor na base do polegar ao segurar a tesoura, o alicate ou o pente — principalmente no movimento de pinça;
- Sensação de fraqueza na mão, com objetos escorregando ou caindo com mais frequência;
- Dificuldade para abrir potes, garrafas ou embalagens que antes eram simples;
- Inchaço ou sensibilidade ao toque na região logo acima do punho, na base do polegar;
- Estalos ou sensação de atrito ao mover o polegar;
- Dor que piora ao longo do dia de trabalho e melhora com repouso, pelo menos no início.
Com a progressão, a dor pode surgir mesmo em repouso e a articulação pode apresentar uma saliência visível na base do polegar — sinal de que o desgaste já está em estágio mais avançado.
Quando parar e procurar um médico especialista em mãos
Muitas profissionais insistem em trabalhar com dor, usando bandagens improvisadas ou tomando analgésicos por conta própria. Isso pode mascarar os sintomas e permitir que a artrose avance sem tratamento adequado.
Procure um cirurgião de mão se você notar:
- Dor que persiste por mais de duas semanas, mesmo com repouso;
- Dificuldade crescente para realizar procedimentos que antes fazia sem esforço;
- Formigamento ou dormência nos dedos associados à dor no polegar;
- Inchaço que não cede com gelo ou elevação da mão;
- Qualquer mudança na forma da articulação ou desvio do polegar.
Quanto mais cedo a avaliação acontece, mais opções de cuidado estão disponíveis. A espera até a dor se tornar insuportável costuma significar um estágio mais avançado da doença.
O papel da radiografia: o que o exame revela sobre a articulação
A radiografia simples das mãos é o principal exame de imagem usado para avaliar a rizartrose. Ela é acessível, rápida e fornece informações valiosas sobre o estado da articulação trapeziometacarpiana.
Na imagem radiográfica, o médico avalia:
- O espaço articular — quanto mais estreito, maior o desgaste da cartilagem;
- A presença de osteófitos (bicos ósseos), que são formações que surgem como resposta ao desgaste;
- A densidade e a forma dos ossos da articulação;
- Possível subluxação — quando os ossos perdem o alinhamento correto.
Com base nesses achados, o médico classifica o grau de rizartrose, o que orienta diretamente as decisões de tratamento. É importante destacar que a radiografia é interpretada sempre junto com os sintomas clínicos: algumas pessoas têm alterações significativas no raio-x e poucos sintomas, enquanto outras sentem muita dor com achados mais discretos.
Em alguns casos, o médico pode solicitar exames complementares como ultrassonografia ou ressonância magnética para avaliar partes moles, mas o raio-x costuma ser o ponto de partida da investigação.
A radiografia precisa de preparo especial?
Não. O exame é simples, sem necessidade de jejum ou preparo prévio. Normalmente são feitas imagens em diferentes posições da mão e do punho para permitir uma avaliação completa da articulação.
Cuidados no trabalho que podem ajudar a preservar a articulação
Enquanto aguarda a consulta ou como complemento ao tratamento orientado pelo médico, algumas adaptações no ambiente de trabalho podem reduzir a sobrecarga na base do polegar:
- Prefira instrumentos com cabos mais grossos e ergonômicos — alicates, tesouras e pentes com pegada mais larga reduzem a força de pinça necessária;
- Faça pausas regulares durante o dia, aproveitando para soltar e relaxar as mãos;
- Evite segurar instrumentos com força excessiva — o hábito de apertar mais do que o necessário é comum e sobrecarrega a articulação;
- Aplique calor antes do trabalho (para relaxar a articulação) e frio após (para reduzir inflamação), mas sempre com orientação profissional;
- Converse com seu médico sobre o uso de órteses de repouso ou funcionais para o polegar, que podem ser indicadas em alguns casos.
Essas medidas não substituem a avaliação médica, mas podem fazer diferença na qualidade do dia a dia enquanto o tratamento é definido.
Como a Dra. Rosana Endo avalia e acompanha casos de rizartrose
A Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão com atuação em São Paulo, realiza uma avaliação clínica detalhada que combina a história dos sintomas, o exame físico da mão e a análise dos exames de imagem — incluindo a radiografia — para entender o estágio da doença e o impacto que ela tem na rotina de trabalho de cada paciente.
O tratamento da rizartrose pode envolver desde medidas conservadoras, como fisioterapia, uso de órteses e infiltrações, até procedimentos cirúrgicos nos casos mais avançados. Cada plano de cuidado é individualizado, levando em conta a profissão, o grau de comprometimento e os objetivos da paciente.
Se você trabalha como manicure, cabeleireira ou em qualquer outra profissão que exija muito das mãos e está sentindo dor na base do polegar, o mais indicado é agendar uma avaliação para que o diagnóstico correto seja feito e o tratamento mais adequado para o seu caso seja iniciado o quanto antes.
Perguntas frequentes
A rizartrose tem cura com tratamento?
A rizartrose é uma doença degenerativa, ou seja, o desgaste da cartilagem não se reverte. No entanto, o tratamento adequado pode controlar a dor, melhorar a função da mão e preservar a qualidade de vida. O resultado varia de pessoa para pessoa e depende do estágio da doença, por isso a avaliação médica individualizada é fundamental.
Só a radiografia é suficiente para diagnosticar a rizartrose?
A radiografia é o principal exame para avaliar a articulação e classificar o grau de desgaste, mas o diagnóstico é feito pelo médico com base na combinação entre os achados do exame de imagem e os sintomas clínicos. Em alguns casos, outros exames podem ser solicitados para completar a avaliação.
Posso continuar trabalhando como manicure ou cabeleireira com rizartrose?
Essa resposta depende do estágio da doença e do tratamento em andamento. Muitas profissionais conseguem continuar trabalhando com ajustes ergonômicos e tratamento adequado. O médico especialista é quem pode orientar sobre limitações e adaptações específicas para cada caso.
A rizartrose pode aparecer nos dois polegares ao mesmo tempo?
Sim, é possível que a artrose afete ambas as mãos, embora com graus diferentes. Profissionais que usam as duas mãos de forma intensa no trabalho devem ficar atentas a sintomas em ambos os lados e comunicar ao médico durante a consulta.
Tomar anti-inflamatório por conta própria resolve o problema?
Anti-inflamatórios podem aliviar a dor temporariamente, mas não tratam a causa da rizartrose nem impedem sua progressão. O uso prolongado sem orientação médica pode trazer riscos para a saúde. O ideal é buscar avaliação especializada para um plano de tratamento seguro e adequado.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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