Rizartrose: dor ao pinçar e abrir potes no polegar
A rizartrose é a artrose da articulação na base do polegar e causa dor intensa ao pinçar, girar tampas e abrir potes. O tratamento — que inclui órtese, fisioterapia e, quando necessário, cirurgia — costuma durar de três a doze meses dependendo do estágio da doença.
O que é rizartrose e por que ela dói tanto ao fazer gestos simples?
- Rizartrose é o desgaste da cartilagem na articulação trapézio-metacarpal, a base do polegar.
- O gesto de pinçar concentra forças muito altas nessa articulação pequena, razão pela qual a dor aparece justamente ao abrir potes, girar chaves ou segurar objetos.
- Estudos indicam que a rizartrose afeta até 15% das mulheres acima de 50 anos, sendo uma das artroses de mão mais frequentes em idosos.
- A progressão é lenta, mas os sintomas podem piorar ao longo de meses ou anos sem tratamento adequado.
- O diagnóstico é confirmado em consulta com exame clínico e radiografia — não é possível afirmar o estágio da doença sem avaliação presencial.
A articulação na base do polegar é responsável por quase toda a mobilidade que permite o movimento de pinça — aquele em que a ponta do polegar toca a ponta dos outros dedos. Quando a cartilagem se desgasta, os ossos passam a se atrito diretamente, gerando inflamação, dor e, com o tempo, deformidade visível na base do polegar.
Quais são os sintomas que indicam que a dor no polegar pode ser rizartrose?
Os sintomas mais característicos aparecem durante atividades cotidianas que exigem força de pinça ou rotação. Reconhecê-los cedo faz diferença no resultado do tratamento.
- Dor na base do polegar ao abrir potes, girar torneiras, descascar frutas ou segurar uma xícara.
- Sensação de fraqueza no polegar, mesmo em tarefas que antes eram simples.
- Inchaço ou saliência óssea visível na região da base do polegar, próxima ao punho.
- Rigidez matinal que melhora após alguns minutos de movimento.
- Estalos ou crepitação (sensação de areia) dentro da articulação ao mover o polegar.
Em estágios mais avançados, a dor pode aparecer mesmo em repouso e a deformidade da base do polegar torna-se evidente. Nesses casos, a avaliação especializada é ainda mais urgente para discutir as opções disponíveis.
Quanto tempo dura o tratamento da rizartrose e quais são as etapas?
Esta é a dúvida mais frequente entre pacientes idosos: afinal, existe um prazo definido? A resposta honesta é que o tratamento é dividido em fases com durações diferentes, e o tempo total varia conforme o estágio da artrose.
Tratamento conservador (sem cirurgia)
Na maioria dos casos em estágio inicial e intermediário, o tratamento conservador é a primeira escolha e costuma durar de três a seis meses de acompanhamento ativo. As etapas incluem:
- Órtese (splint) para a base do polegar: usada principalmente à noite e durante atividades que provocam dor; reduz a inflamação ao estabilizar a articulação.
- Fisioterapia e terapia ocupacional: exercícios para fortalecer os músculos ao redor da articulação e orientações para adaptar gestos do dia a dia.
- Infiltração com corticoide ou ácido hialurônico: indicada em crises de dor intensa; os efeitos costumam durar semanas a meses, e a decisão é sempre individualizada pelo médico.
- Analgésicos e anti-inflamatórios: usados por períodos curtos, com prescrição médica, para controlar crises.
Estudos indicam que cerca de 70% dos pacientes em estágio inicial conseguem controle satisfatório da dor com tratamento conservador bem conduzido, sem necessidade de cirurgia.
Tratamento cirúrgico
Quando o desgaste é avançado ou o tratamento conservador não oferece alívio suficiente, a cirurgia é discutida. As técnicas mais utilizadas incluem a trapeziectomia (retirada do osso trapézio) com ou sem reconstrução ligamentar, e a artroplastia. O período de recuperação cirúrgica costuma ser de três a seis meses até retorno às atividades plenas, com fisioterapia incluída nesse prazo. Para idosos, a cirurgia é segura quando indicada corretamente — a idade isolada não é contraindicação.
Quando um idoso com dor no polegar deve procurar um médico especialista?
Procure avaliação especializada quando:
- A dor ao pinçar ou abrir potes persiste por mais de quatro semanas, mesmo com repouso.
- Tarefas básicas como abotoar roupas, segurar talheres ou escrever tornam-se difíceis ou impossíveis.
- Aparecer inchaço, vermelhidão ou calor na base do polegar.
- A dor interromper o sono ou aparecer em repouso.
- Houver deformidade visível ou sensação de instabilidade na articulação.
O especialista em cirurgia da mão é o profissional mais indicado para avaliar a rizartrose, pois reúne o conhecimento clínico e cirúrgico necessário para propor o tratamento mais adequado para cada estágio. A Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão em São Paulo, realiza essa avaliação completa com exame clínico e análise de imagens — agende uma consulta para saber exatamente em que estágio está e qual caminho faz mais sentido para o seu caso.
Como é feito o diagnóstico da rizartrose e o que esperar da consulta?
O diagnóstico da rizartrose combina três elementos principais:
- Histórico clínico: o médico pergunta sobre o tipo de dor, as atividades que a provocam, há quanto tempo os sintomas existem e quais tratamentos já foram tentados.
- Exame físico: o teste de grinding (compressão e rotação do polegar) e a palpação da base do polegar são manobras específicas que ajudam a identificar a articulação comprometida.
- Radiografia da mão: confirma o grau de desgaste da cartilagem e classifica a artrose em estágios (de I a IV, pela classificação de Eaton-Littler), o que orienta diretamente a escolha do tratamento.
Em alguns casos, o médico pode solicitar ressonância magnética para avaliar tecidos moles ao redor da articulação. A consulta costuma ser suficiente para definir o plano de tratamento já na primeira visita, desde que as imagens estejam disponíveis.
Dá para continuar as atividades do dia a dia durante o tratamento da rizartrose?
Sim, na grande maioria dos casos — e isso é especialmente importante para idosos que dependem da independência funcional das mãos.
Durante o tratamento conservador, o objetivo é justamente preservar a função enquanto se controla a dor e a inflamação. A terapia ocupacional orienta adaptações simples e muito eficazes:
- Usar utensílios com cabos mais grossos (colheres, canetas, abridor de potes adaptado) reduz a força necessária na base do polegar.
- Abrir potes apoiando-os na bancada em vez de segurá-los no ar diminui a carga na articulação.
- Usar a palma da mão aberta para empurrar tampas, em vez da pinça, protege a articulação durante o gesto.
Evitar o repouso absoluto é importante: a inatividade prolongada enfraquece os músculos e piora a estabilidade da articulação. O equilíbrio entre movimento e proteção é definido junto ao médico e ao fisioterapeuta ao longo do tratamento.
Perguntas frequentes
A rizartrose tem cura ou vai piorar para sempre?
A rizartrose é uma doença degenerativa — a cartilagem desgastada não se regenera completamente. Porém, o tratamento adequado controla a dor e preserva a função na maioria dos pacientes, permitindo uma vida ativa. A progressão pode ser desacelerada com cuidados corretos iniciados cedo.
Posso usar órtese comprada em farmácia ou preciso de uma personalizada?
Órteses prontas de farmácia podem oferecer algum alívio imediato, mas órteses personalizadas, confeccionadas por terapeuta ocupacional, se encaixam melhor na anatomia individual e protegem a articulação de forma mais eficaz. O médico ou terapeuta indica o modelo mais adequado para cada caso.
A cirurgia de rizartrose é muito arriscada para idosos?
A idade avançada isolada não é contraindicação para a cirurgia. O risco é avaliado individualmente, considerando condições clínicas gerais. Em idosos saudáveis com artrose avançada, a cirurgia costuma trazer melhora significativa da dor e da função da mão.
Quanto tempo depois da cirurgia consigo voltar a abrir potes normalmente?
A recuperação cirúrgica varia, mas estudos indicam que a maioria dos pacientes retoma atividades funcionais plenas entre três e seis meses após a cirurgia, com fisioterapia regular. Os primeiros meses envolvem imobilização parcial e exercícios progressivos.
A dor na base do polegar pode ser outra coisa que não rizartrose?
Sim. Tendinite de De Quervain, síndrome do túnel do carpo e artrite reumatoide podem causar dor em regiões próximas. Por isso, o diagnóstico precisa ser confirmado em consulta com exame clínico e, geralmente, radiografia — a localização e o tipo de dor são determinantes para diferenciar as condições.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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