Rizartrose: quando a dor do polegar vai até o punho
Rizartrose é a artrose da articulação trapézio-metacarpal, na base do polegar. Ela provoca dor localizada que frequentemente irradia para o punho, piora ao pinçar ou girar objetos e é especialmente comum em mulheres acima dos 40 anos após alterações hormonais.
O que é rizartrose e por que a dor chega até o punho?
- Rizartrose é o desgaste da cartilagem na base do polegar, onde o primeiro metacarpo se articula com o osso trapézio.
- A dor irradia para o punho porque os nervos e tendões da região são compartilhados — o processo inflamatório se propaga ao longo dessas estruturas.
- Estudos indicam que a condição afeta até 25% das mulheres após a menopausa, tornando-a uma das artroses de mão mais prevalentes nesse grupo.
- O diagnóstico é confirmado com exame clínico e, na maioria dos casos, com radiografia simples da mão.
- Tratamentos conservadores — como órteses e fisioterapia — aliviam os sintomas em grande parte dos casos, especialmente nos estágios iniciais.
A articulação trapézio-metacarpal é uma das mais móveis do corpo humano: permite ao polegar girar, pinçar e opor-se aos demais dedos. Exatamente por ser tão exigida, ela também é uma das primeiras a sofrer desgaste. Quando a cartilagem se deteriora, o osso passa a friccionar diretamente contra o osso, gerando inflamação local. Essa inflamação estimula terminações nervosas que percorrem o antebraço, explicando por que a dor raramente fica restrita a um ponto só — ela se espalha em direção ao punho e, às vezes, até ao antebraço.
Por que a rizartrose é tão comum em mulheres acima dos 40?
A resposta está, em grande parte, nos hormônios. O estrogênio tem papel protetor sobre a cartilagem articular: ele influencia a produção de colágeno e regula processos inflamatórios dentro das articulações. Com a perimenopausa e a menopausa, a queda dos níveis de estrogênio acelera o desgaste cartilaginoso — e a base do polegar, por ser altamente solicitada no dia a dia, sente esse impacto de forma precoce.
Além da questão hormonal, outros fatores contribuem:
- Anatomia da articulação: a sela articular feminina tende a ser mais frouxa ligamentarmente, o que gera maior instabilidade e desgaste ao longo do tempo.
- Sobrecarga repetitiva: atividades que exigem pinça fina — cozinhar, costurar, digitar, abrir potes — são realizadas com alta frequência e acumulam microtraumas.
- Histórico familiar: a predisposição genética influencia a velocidade com que a cartilagem se desgasta.
- Lesões antigas: entorses ou fraturas na base do polegar aumentam o risco de artrose precoce nessa região.
Isso não significa que toda mulher acima dos 40 desenvolverá rizartrose, mas esse é o perfil que a Dra. Rosana Endo vê com mais frequência no consultório: mulheres ativas, que não reconhecem a dor no punho como sendo originada no polegar e demoram a buscar avaliação.
Como saber se a dor no punho vem da base do polegar?
Essa confusão é extremamente comum. A dor da rizartrose imita, em alguns momentos, a dor do punho — e isso faz com que muitas pacientes procurem tratamento para o lugar errado por meses. Alguns sinais ajudam a levantar a suspeita:
- Dor ao pinçar: abrir uma garrafa, segurar uma chave ou pegar uma moeda causa dor intensa na base do polegar que se irradia em direção ao punho.
- Fraqueza de preensão: a mão cansa com rapidez em tarefas simples, como segurar uma frigideira ou espremer uma esponja.
- Inchaço e abaulamento: a base do polegar pode parecer mais proeminente do que o normal, com leve deformidade visível.
- Crepitação: sensação de areia ou estalos ao movimentar o polegar.
- Piora ao acordar: rigidez e dor nas primeiras horas da manhã, que melhora com o movimento.
Um teste clínico chamado manobra de grinding (ou sinal de trituração) é realizado pelo médico durante a consulta: o polegar é comprimido e girado simultaneamente. Dor reproduzida por esse movimento aponta fortemente para rizartrose. O diagnóstico definitivo, porém, sempre combina exame clínico e exame de imagem.
Quais são as opções de tratamento para a rizartrose?
O tratamento é definido pelo estágio da artrose e pelo impacto que ela causa na qualidade de vida da paciente. A boa notícia é que a maioria dos casos, especialmente os diagnosticados cedo, responde bem a abordagens não cirúrgicas.
Tratamento conservador
- Órtese de repouso para o polegar: imobiliza a articulação trapézio-metacarpal, reduz a inflamação e alivia a dor — costuma ser usada à noite e em momentos de maior sobrecarga.
- Fisioterapia e terapia ocupacional: fortalecem a musculatura ao redor da articulação, melhoram a estabilidade e ensinam técnicas para proteger o polegar nas atividades do dia a dia.
- Infiltração com corticosteroide: aplicação de anti-inflamatório diretamente na articulação, indicada quando a dor não cede com as medidas iniciais. Estudos indicam alívio significativo em boa parte dos pacientes por semanas a meses.
- Anti-inflamatórios: prescritos pelo médico para controle da dor aguda.
Tratamento cirúrgico
Quando o desgaste é avançado e o tratamento conservador não oferece mais alívio suficiente, a cirurgia é uma opção segura e com bons resultados funcionais. A técnica mais realizada é a trapeziectomia — retirada do osso trapézio — com ou sem reconstrução ligamentar. O procedimento alivia a dor de forma duradoura e restaura a função do polegar. A recuperação completa costuma levar de 3 a 6 meses, com acompanhamento de fisioterapia. A decisão sobre operar é sempre individual, baseada em avaliação presencial com a cirurgiã.
Quando devo procurar uma cirurgiã de mão por causa dessa dor?
Não é preciso esperar a dor se tornar insuportável. Procurar avaliação especializada faz sentido em qualquer um destes cenários:
- A dor na base do polegar ou no punho persiste por mais de 4 a 6 semanas sem melhora clara.
- Tarefas simples do cotidiano — abrir embalagens, digitar, cozinhar — tornaram-se difíceis ou dolorosas.
- Você já foi tratada para tendinite de punho ou síndrome do túnel do carpo e a dor não melhorou como esperado.
- Há inchaço visível ou deformidade na base do polegar.
- A dor acorda você à noite.
A avaliação com a Dra. Rosana Endo inclui exame clínico detalhado e análise de exames de imagem. Quanto mais cedo a condição é identificada, mais opções de tratamento conservador estão disponíveis — e menores as chances de progressão para um estágio que exija cirurgia. Agendar uma consulta é o primeiro passo para entender exatamente de onde vem essa dor.
Perguntas frequentes
A rizartrose tem cura?
A artrose é uma condição degenerativa — o desgaste da cartilagem não se reverte completamente. O tratamento, porém, controla a dor, melhora a função e, em casos cirúrgicos, proporciona alívio duradouro. Muitas pacientes retomam atividades normais com qualidade de vida satisfatória.
Posso confundir rizartrose com tendinite no punho?
Sim, a confusão é frequente porque a dor da rizartrose irradia para o punho. A diferença está no ponto de origem: na rizartrose, a dor começa na base do polegar e piora ao pinçar. Um exame clínico com a cirurgiã de mão distingue as duas condições com precisão.
A cirurgia de rizartrose é muito agressiva?
A trapeziectomia é um procedimento bem estabelecido, realizado geralmente em regime ambulatorial. A recuperação costuma levar de 3 a 6 meses com fisioterapia. A indicação cirúrgica depende do estágio da artrose e da resposta ao tratamento conservador — e é sempre avaliada individualmente.
Uso de órtese resolve a dor da rizartrose?
A órtese reduz a carga sobre a articulação e alivia a inflamação, sendo especialmente eficaz nos estágios iniciais e moderados. Ela faz parte de um plano de tratamento mais amplo que pode incluir fisioterapia e infiltração, conforme avaliação médica.
Atividades físicas pioram a rizartrose?
Exercícios que sobrecarregam o polegar — como levantamento de peso com pegada fechada — podem intensificar a dor. Atividades adaptadas, com orientação de fisioterapeuta, são geralmente bem toleradas e ajudam a manter a força e a mobilidade da mão.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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