Rizartrose: quando a dor no polegar chega ao punho
A rizartrose é a artrose que afeta a base do polegar e, em muitos casos, provoca uma dor que parece irradiar em direção ao punho — o que frequentemente confunde quem tenta entender o que está acontecendo com a própria mão.
Por que a dor começa no polegar e parece chegar ao punho?
A articulação afetada na rizartrose fica exatamente onde o polegar se encontra com o osso trapézio, na base da mão. Esse ponto fica muito próximo do punho, o que faz com que a dor nem sempre seja sentida em um lugar só.
Quando a cartilagem dessa articulação se desgasta, os ossos começam a se atrito um contra o outro. Esse processo inflamatório pode irradiar desconforto ao longo do lado do polegar, chegando até a região do punho. Muitas mulheres descrevem a sensação como uma dor profunda, que piora ao apertar objetos, abrir potes, girar chaves ou escrever por muito tempo.
Essa irradiação não significa que o punho esteja necessariamente doente — ela acontece porque os nervos e os tecidos da região são compartilhados e se comunicam. Por isso, só um exame clínico cuidadoso consegue determinar a real origem da dor.
Por que as mulheres acima dos 40 são as mais afetadas?
A rizartrose acomete pessoas de diferentes perfis, mas existe um grupo que aparece com muito mais frequência nos consultórios de cirurgia da mão: mulheres entre 40 e 60 anos. Isso não é coincidência.
As alterações hormonais que ocorrem ao redor da menopausa influenciam diretamente a qualidade das cartilagens e dos ligamentos. Com menos estrogênio circulando, as estruturas que sustentam as articulações perdem parte da sua elasticidade e capacidade de proteção.
Somado a isso, ao longo de décadas de uso intenso das mãos — seja no trabalho, nos cuidados com a casa ou com os filhos — a articulação da base do polegar acumula um desgaste natural que, em algumas pessoas, evolui para a artrose.
- Histórico familiar de artrose nas mãos aumenta a predisposição.
- Trabalhos manuais repetitivos podem antecipar o surgimento dos sintomas.
- Lesões antigas no punho ou na mão também são fatores que merecem atenção.
É importante lembrar que ter esses fatores de risco não significa necessariamente que a pessoa vai desenvolver a doença — e, caso desenvolva, existem caminhos para manejar os sintomas com qualidade de vida.
Como o diagnóstico da rizartrose é feito na prática
Essa é uma das perguntas mais comuns que chegam ao consultório da Dra. Rosana Endo, e a resposta pode surpreender: o diagnóstico começa com uma conversa e um exame físico detalhado, não apenas com exames de imagem.
A história clínica
O médico vai querer entender quando a dor começou, o que a provoca, o que a alivia, se ela acorda a pessoa à noite e como está interferindo nas atividades do dia a dia. Informações como profissão, hábitos e histórico de lesões são muito relevantes.
O exame físico das mãos
Existem manobras específicas que ajudam a identificar a rizartrose com bastante precisão. Uma das mais utilizadas é o teste de compressão da articulação trapézio-metacarpal — o médico aplica uma leve pressão na base do polegar enquanto realiza um movimento giratório. Se houver dor ou um estalo característico, isso indica alteração nessa articulação.
O especialista também observa se há abaulamento ou deformidade visível na região, avalia a força de pinça e verifica a mobilidade do polegar em diferentes direções.
Os exames de imagem
A radiografia das mãos em posições específicas é fundamental para visualizar o grau de desgaste da cartilagem e o alinhamento dos ossos. Em alguns casos, pode ser solicitada uma ressonância magnética para avaliar os tecidos moles ao redor da articulação ou para descartar outras causas de dor.
Vale dizer: o resultado de uma radiografia nem sempre se traduz diretamente na intensidade da dor sentida. Há pessoas com imagens que mostram desgaste significativo e que referem dor leve, e o contrário também acontece. Por isso, a avaliação clínica completa é insubstituível.
Outros problemas que podem imitar a rizartrose — e como diferenciá-los
Uma das razões pelas quais o diagnóstico precisa ser feito por um especialista é que outras condições podem causar dor semelhante na mesma região. Confundir essas situações pode levar a tratamentos inadequados.
- Síndrome de De Quervain: uma tendinite que afeta os tendões do polegar e causa dor no lado do punho, muito parecida com a da rizartrose — mas com localização e manobras diagnósticas diferentes.
- Síndrome do túnel do carpo: compressão de um nervo no punho que provoca dormência e dor que podem se estender até o polegar.
- Artrose do punho: pode coexistir com a rizartrose em algumas pacientes, especialmente após lesões antigas.
- Artrite reumatoide: doença inflamatória que também atinge as articulações das mãos e exige avaliação específica.
Por isso, não é recomendável tentar identificar sozinha a origem da dor. A avaliação presencial é o único caminho confiável para chegar a uma conclusão correta.
O que esperar a partir do diagnóstico confirmado?
Receber um diagnóstico de rizartrose pode gerar muitas dúvidas e, às vezes, um certo receio. É natural. Mas é importante saber que existem diversas abordagens disponíveis, desde medidas mais simples até procedimentos mais específicos, sempre escolhidos de acordo com o grau da artrose e com as necessidades de cada pessoa.
O tratamento pode incluir orientações sobre como adaptar atividades do dia a dia, uso de órteses (suportes para o polegar), fisioterapia, medicamentos para controle da inflamação e, em alguns casos, procedimentos realizados pelo médico especialista.
A decisão sobre o melhor caminho é sempre compartilhada entre a paciente e a médica, levando em conta a qualidade de vida, as expectativas e as condições de saúde como um todo. Nenhuma abordagem tem resultado garantido, mas o acompanhamento com um especialista faz diferença na evolução do quadro.
Se você está sentindo dor na base do polegar — com ou sem irradiação para o punho — e ainda não sabe o que está causando esse desconforto, o caminho mais seguro é agendar uma avaliação com a Dra. Rosana Endo para entender exatamente o que está acontecendo com a sua mão.
Perguntas frequentes
A dor que vai do polegar até o punho é sempre sinal de rizartrose?
Não necessariamente. Essa dor pode ter várias origens, como tendinites, compressões de nervo ou até artrose do próprio punho. A rizartrose é uma das causas possíveis, mas somente um exame clínico realizado por um especialista consegue identificar a origem correta.
O diagnóstico de rizartrose exige cirurgia?
Não. O diagnóstico é feito clinicamente e com exames de imagem, e não implica obrigatoriamente em cirurgia. Muitas pacientes são tratadas com abordagens não cirúrgicas por longos períodos. A indicação cirúrgica, quando existe, depende do grau da artrose e da resposta aos outros tratamentos.
Posso fazer a radiografia em qualquer clínica e levar o resultado para a consulta?
Sim, você pode. Mas é importante que as imagens sejam feitas nas incidências corretas para avaliar a articulação da base do polegar. Na consulta, a médica pode solicitar incidências complementares caso as imagens trazidas não mostrem todos os ângulos necessários.
A rizartrose tem cura?
A artrose é uma condição de desgaste da cartilagem que, uma vez instalada, não tem reversão completa. No entanto, é plenamente possível controlar os sintomas, reduzir a dor e manter uma boa qualidade de vida com o tratamento adequado. Cada caso é avaliado individualmente.
A partir de que momento devo procurar um especialista?
Se a dor na base do polegar ou na região do punho está atrapalhando atividades simples do dia a dia — como abrir potes, segurar uma xícara ou digitar — já é um bom momento para buscar avaliação. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais opções de manejo estarão disponíveis.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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