Rizartrose e dor no punho: como tratar sem cirurgia
A rizartrose é uma artrose na articulação da base do polegar que, com frequência, provoca uma dor que se espalha em direção ao punho — e, na maioria dos casos, é possível aliviar essa dor sem precisar de cirurgia, especialmente quando o tratamento começa cedo.
Por que a base do polegar dói tanto em quem faz trabalho braçal?
A articulação que une o polegar à base da mão — chamada de articulação trapeziometacarpal — é uma das mais exigidas do corpo humano. Ela permite que a gente aperte, pinçe, torça e segure objetos com força. Para quem usa as mãos intensamente no trabalho — pedreiros, cabeleireiros, cozinheiros, costureiras, mecânicos e tantos outros — essa articulação trabalha sem parar durante horas.
Com o tempo, a cartilagem que protege os ossos dessa articulação vai se desgastando. Quando isso acontece, os ossos começam a se roçar, causando inflamação, dor e, progressivamente, limitação de movimento. Essa condição tem nome: rizartrose.
O que surpreende muita gente é que a dor raramente fica restrita à base do polegar. Ela costuma irradiar ao longo do lado externo do punho, chegando às vezes até o antebraço. Isso faz com que muitos pacientes pensem que o problema está no punho, e não no polegar — o que atrasa o diagnóstico correto.
Sinais que merecem atenção: quando a dor vai além do polegar
A rizartrose tem uma progressão gradual, e os sintomas iniciais são fáceis de confundir com simples cansaço das mãos. Fique atento a estes sinais:
- Dor na base do polegar ao apertar objetos, abrir potes ou girar chaves.
- Dor que irradia para o punho, especialmente ao realizar movimentos de torção.
- Sensação de fraqueza na pegada, com objetos escorregando das mãos com mais frequência.
- Dor ao repouso nos casos mais avançados, inclusive à noite.
- Inchaço e sensibilidade na região da base do polegar.
- Estalos ou crepitação ao mover o polegar.
É importante lembrar que apenas uma avaliação médica pode determinar se esses sintomas são de rizartrose ou de outra condição. Dores na região do polegar e do punho podem ter várias origens, e o diagnóstico correto é o primeiro passo para o tratamento certo.
Tratamento sem cirurgia: o que realmente funciona no dia a dia
A boa notícia é que a maioria dos pacientes com rizartrose — inclusive aqueles com trabalho braçal intenso — consegue ótimos resultados com tratamentos conservadores, ou seja, sem cirurgia. O objetivo não é eliminar o desgaste já existente, mas controlar a inflamação, aliviar a dor e preservar a função da mão pelo maior tempo possível.
Órtese (imobilizador) para o polegar
O uso de uma órtese específica para a base do polegar é uma das medidas mais eficazes. Ela estabiliza a articulação durante as atividades, reduzindo o atrito e a inflamação. Não significa parar de trabalhar, mas sim proteger a articulação enquanto ela se recupera. A órtese pode ser usada durante o trabalho e retirada nos momentos de descanso.
Fisioterapia e terapia ocupacional
Um programa de reabilitação orientado por profissional especializado ajuda a fortalecer os músculos ao redor da articulação, melhorar a mobilidade e ensinar formas de realizar as tarefas do dia a dia com menos sobrecarga no polegar. Para quem faz trabalho manual, esse aprendizado pode fazer uma diferença enorme.
Medicamentos e infiltração
Anti-inflamatórios e analgésicos ajudam a controlar as crises de dor. Em alguns casos, a infiltração com corticoide diretamente na articulação oferece alívio prolongado, especialmente quando os outros métodos não são suficientes. Essas decisões são sempre individualizadas pelo médico.
Adaptações no trabalho
Pequenas mudanças na forma de segurar ferramentas, no uso de luvas de proteção e em como distribuir o esforço entre os dedos podem reduzir significativamente a sobrecarga na articulação. Um terapeuta ocupacional pode orientar adaptações específicas para a sua profissão.
Quando o tratamento conservador não é suficiente
Nem sempre o tratamento sem cirurgia resolverá o problema de forma definitiva. Quando a dor persiste mesmo com todas as medidas conservadoras bem aplicadas, ou quando a função da mão fica muito comprometida para as atividades profissionais, a cirurgia pode se tornar uma opção a ser discutida.
Existem diferentes técnicas cirúrgicas para a rizartrose, e a escolha depende de fatores como o grau de desgaste da articulação, a idade do paciente, o tipo de trabalho que realiza e suas expectativas. A decisão sobre operar ou não é sempre compartilhada entre o médico e o paciente, após uma avaliação detalhada.
O ponto mais importante é não esperar a dor se tornar insuportável para buscar ajuda. Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores as chances de manter a qualidade de vida e continuar trabalhando com menos limitações.
O que esperar em uma consulta com a Dra. Rosana Endo
Na consulta, a Dra. Rosana Endo realiza uma avaliação clínica completa da mão e do punho, considerando não apenas os sintomas, mas também a sua rotina de trabalho e o impacto que a dor está causando na sua vida. Exames de imagem como radiografias são solicitados quando necessário para complementar o diagnóstico.
O plano de tratamento é sempre explicado de forma clara, com todas as opções apresentadas para que você possa participar ativamente das decisões sobre o seu cuidado. Se você convive com dor na base do polegar ou no punho e ainda não sabe ao certo o que está causando esse desconforto, agendar uma avaliação é o primeiro passo.
Perguntas frequentes
A dor que vai da base do polegar até o punho pode ser rizartrose?
Sim, essa irradiação de dor é bastante comum na rizartrose. A inflamação na articulação da base do polegar pode provocar desconforto que se espalha ao longo do punho e até o antebraço. No entanto, outros problemas também podem causar essa distribuição de dor, como a tendinite de De Quervain. Somente uma avaliação médica com exame físico — e eventualmente exames de imagem — pode identificar a causa correta.
Quem faz trabalho braçal pode tratar a rizartrose sem parar de trabalhar?
Em muitos casos, sim. O tratamento conservador busca justamente manter a função da mão e permitir que a pessoa continue suas atividades com menos dor e mais proteção para a articulação. O uso de órtese, fisioterapia e adaptações na forma de trabalhar são estratégias que ajudam nesse equilíbrio. Cada caso é único, e o médico orientará o que é seguro para a sua situação específica.
A rizartrose piora com o tempo se não for tratada?
A rizartrose é uma condição degenerativa, o que significa que o desgaste tende a progredir ao longo dos anos. No entanto, o ritmo dessa progressão varia muito de pessoa para pessoa. O tratamento adequado não reverte o desgaste já existente, mas pode retardar a progressão, controlar a inflamação e preservar a função da mão por muito mais tempo.
Infiltração na base do polegar dói muito?
A aplicação pode causar um desconforto momentâneo, mas o procedimento é feito com cuidado e, na maioria das vezes, é bem tolerado pelos pacientes. O alívio proporcionado costuma superar o desconforto da aplicação. Converse com a sua médica sobre suas dúvidas e receios antes do procedimento.
Quanto tempo dura o tratamento conservador da rizartrose?
Não existe um prazo fixo, porque o tratamento é contínuo e adaptado à evolução de cada paciente. Alguns percebem melhora significativa em semanas; outros precisam de acompanhamento mais prolongado. O importante é manter o tratamento mesmo nos períodos sem dor intensa, para evitar novas crises e preservar a articulação.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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