Rizartrose nas Duas Mãos: Causas e Tratamento
Rizartrose nas duas mãos é o desgaste da cartilagem na base de ambos os polegares — a articulação trapézio-metacarpiana. Em idosos, é frequente porque essa articulação suporta décadas de carga intensa. A condição causa dor, fraqueza de pinça e dificuldade para girar objetos cotidianos.
O que é rizartrose nas duas mãos e por que ela atinge os dois polegares ao mesmo tempo?
- Rizartrose é a artrose da articulação na base do polegar, onde o primeiro metacarpo se articula com o osso trapézio.
- Quando bilateral, as duas mãos apresentam desgaste da cartilagem dessa articulação — o que é comum em idosos porque ambas as mãos acumulam o mesmo tempo de uso intenso.
- Estudos indicam que a rizartrose afeta entre 15% e 25% das pessoas acima de 60 anos, sendo mais frequente em mulheres após a menopausa.
- A perda do estrogênio fragiliza ligamentos e cartilagens, tornando a articulação da base do polegar especialmente vulnerável ao desgaste em ambas as mãos simultaneamente.
- O fato de ser bilateral não significa uma doença mais grave — significa que o processo de envelhecimento articular aconteceu de forma simétrica, como costuma ocorrer.
A articulação trapézio-metacarpiana é a mais móvel do polegar: permite que ele se oponha aos outros dedos para pegar, girar e pinçar. Exatamente por ser tão exigida durante a vida toda, ela é uma das primeiras a apresentar sinais de artrose na terceira idade.
Quais são os sintomas da rizartrose bilateral que o idoso sente no dia a dia?
Os sintomas costumam aparecer de forma gradual e, no início, podem ser confundidos com cansaço das mãos. Com o passar do tempo, eles se tornam mais evidentes:
- Dor na base do polegar ao abrir potes, girar chaves, segurar copos ou apertar a mão de alguém.
- Fraqueza de pinça: dificuldade crescente para pegar objetos pequenos com precisão, como botões ou moedas.
- Dor ao acordar, que melhora com o movimento suave ao longo do dia — padrão típico de artrose.
- Inchaço e sensibilidade visíveis na região da base do polegar, formando por vezes um pequeno abaulamento ósseo.
- Estalos ou crepitação ao mover o polegar, causados pelo atrito entre as superfícies articulares desgastadas.
Quando as duas mãos são afetadas, as limitações se somam: tarefas simples como abrir uma embalagem ou apertar o cabo de uma panela podem se tornar difíceis com qualquer das mãos, reduzindo significativamente a autonomia do idoso.
Por que a artrose na base do polegar é tão comum em idosos — especialmente nas mulheres?
A rizartrose bilateral em idosos tem causas bem estabelecidas que se combinam ao longo das décadas:
Envelhecimento da cartilagem
A cartilagem que reveste a articulação trapézio-metacarpiana perde água e elasticidade com a idade. Sem essa proteção, o osso começa a se desgastar. Esse processo é natural, mas varia de pessoa para pessoa.
Queda do estrogênio após a menopausa
O estrogênio protege cartilagens e ligamentos. Com a menopausa, sua queda deixa a articulação da base do polegar menos estável e mais sujeita ao desgaste — o que explica por que estudos indicam que mulheres são afetadas de duas a três vezes mais do que homens.
Décadas de uso intenso das mãos
Costurar, cozinhar, lavar, carregar, digitar — a soma de décadas de atividades manuais contribui para o desgaste gradual. Não significa que a pessoa fez algo errado; significa que usou as mãos como deveriam ser usadas.
Predisposição genética
A rizartrose tem componente hereditário importante. Quem tem familiares com artrose nos polegares apresenta maior chance de desenvolvê-la também, independentemente do estilo de vida.
Frouxidão ligamentar
Ligamentos mais frouxos permitem micromovimentos excessivos na articulação. Com o tempo, essa instabilidade acelera o desgaste da cartilagem nas duas mãos de forma simétrica.
Quando o idoso com dor na base do polegar deve procurar um especialista em mãos?
A dor esporádica após um esforço maior pode ser apenas fadiga muscular. Mas alguns sinais indicam que é hora de procurar avaliação com um especialista:
- A dor persiste há mais de duas semanas, mesmo sem esforço intenso.
- A fraqueza de pinça está impedindo atividades simples do dia a dia, como abotoar a roupa ou segurar um copo.
- Há inchaço visível ou abaulamento na base do polegar de uma ou das duas mãos.
- O sono está sendo interrompido por dor nas mãos.
- A dor piora progressivamente ao longo das semanas.
O diagnóstico precoce é importante porque o tratamento conservador — sem cirurgia — é eficaz na maioria dos casos quando iniciado cedo. Na maioria dos pacientes com rizartrose em estágio inicial ou moderado, estudos indicam melhora significativa dos sintomas com fisioterapia, órteses e medicação adequada. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as possibilidades de tratamento.
Quais são as opções de tratamento para rizartrose bilateral — do conservador à cirurgia?
O tratamento da rizartrose nas duas mãos é planejado de acordo com o grau de desgaste articular e o impacto na vida do paciente. As opções incluem:
Tratamento conservador (sem cirurgia)
Órtese para a base do polegar: uma palmilha ou tala específica que estabiliza a articulação durante as atividades, reduzindo a dor. Costuma ser usada especialmente à noite ou em tarefas de esforço. Quando bilateral, o especialista orienta sobre o uso nas duas mãos de forma alternada ou simultânea.
Fisioterapia e terapia ocupacional: exercícios que fortalecem os músculos ao redor da articulação, protegendo-a do desgaste progressivo. A terapia ocupacional ensina adaptações nas atividades diárias para reduzir a carga sobre os polegares.
Medicamentos: anti-inflamatórios e analgésicos prescritos pelo médico para controlar as crises de dor. O uso deve ser sempre orientado e monitorado, especialmente no idoso.
Infiltração: aplicação de corticoide ou ácido hialurônico na articulação para aliviar a inflamação e a dor. Pode proporcionar meses de alívio e é uma opção segura quando indicada pelo especialista.
Tratamento cirúrgico
Quando o desgaste é avançado e os tratamentos conservadores não controlam mais os sintomas, a cirurgia é uma alternativa. O procedimento mais realizado é a trapeziectomia — retirada do osso trapézio com reconstrução ligamentar — que alivia a dor de forma duradoura. Em casos bilaterais, as cirurgias são realizadas em momentos diferentes para que o paciente tenha sempre uma mão funcional durante a recuperação.
A recuperação após a cirurgia costuma envolver imobilização por algumas semanas, seguida de fisioterapia. Na maioria dos casos, estudos indicam retorno às atividades cotidianas entre três e seis meses após o procedimento.
Como o idoso pode proteger os polegares e manter a independência com rizartrose bilateral?
Adaptar a rotina é tão importante quanto o tratamento médico. Pequenas mudanças reduzem a carga sobre a articulação e preservam a autonomia:
- Prefira utensílios com cabos largos: cabos mais grossos distribuem melhor a força, exigindo menos pressão do polegar — válido para talheres, escovas de dente e canetas.
- Use abridor de potes com alavanca: evita o giro forçado que é o movimento mais doloroso na rizartrose.
- Descanse as mãos regularmente: intervalos curtos durante tarefas repetitivas reduzem a inflamação acumulada.
- Aplique calor antes de atividades e frio após, para preparar a articulação e controlar a inflamação.
- Use as órteses conforme orientação médica: elas não enfraquecem a mão — pelo contrário, protegem a articulação e permitem que o idoso continue ativo.
Ter rizartrose nas duas mãos não significa perder a independência. Com acompanhamento especializado e adaptações inteligentes no dia a dia, a maioria dos idosos consegue manter uma vida ativa e com boa qualidade. A avaliação com uma cirurgiã de mão — como a Dra. Rosana Endo — permite entender o estágio de cada mão e montar um plano de tratamento personalizado para as duas.
Perguntas frequentes
É normal ter rizartrose nas duas mãos ao mesmo tempo?
Sim, é bastante comum — especialmente em idosos e em mulheres após a menopausa. Como as duas mãos envelhecem e acumulam uso de forma paralela, o desgaste na base do polegar costuma acontecer de forma bilateral. Não indica uma doença mais grave, apenas que o processo é simétrico.
A rizartrose bilateral tem cura?
A artrose é um desgaste progressivo da cartilagem e não tem reversão, mas tem tratamento eficaz. O objetivo é controlar a dor, preservar a força e manter a qualidade de vida. Muitos pacientes vivem bem por anos com tratamento conservador, e a cirurgia é uma opção resolutiva quando necessário.
Quando é necessário operar a rizartrose nas duas mãos?
A cirurgia é indicada quando o desgaste articular é avançado e os tratamentos sem cirurgia — órteses, fisioterapia, infiltrações — não controlam mais a dor ou a perda de função. Nas duas mãos, as cirurgias são feitas em momentos separados para garantir que o paciente sempre tenha uma mão funcional durante a recuperação.
Posso fazer fisioterapia para as duas mãos ao mesmo tempo?
Sim. A fisioterapia para rizartrose bilateral costuma ser realizada nas duas mãos simultaneamente ou em sequência na mesma sessão, dependendo do protocolo definido pelo especialista. O terapeuta adapta os exercícios ao grau de comprometimento de cada mão.
Qual médico trata a rizartrose nas duas mãos?
O especialista indicado é o cirurgião de mão, médico com formação específica em doenças, lesões e cirurgias das mãos e punhos. Ele avalia o grau de artrose por exame clínico e de imagem e define o melhor tratamento — conservador ou cirúrgico — para cada caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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