Rizartrose bilateral e diabetes: exames e a consulta
Quando a artrose da base do polegar afeta as duas mãos ao mesmo tempo, a rotina pode ficar bem mais difícil — e quem tem diabetes precisa de atenção redobrada. Entender quais exames ajudam no diagnóstico e o que esperar da primeira consulta pode tornar esse caminho muito menos incerto.
Por que a rizartrose pode surgir nas duas mãos?
A rizartrose é a artrose que atinge a articulação trapézio-metacarpal, localizada na base do polegar. Ela acontece quando a cartilagem que protege essa articulação vai se desgastando com o tempo, causando dor, inchaço e dificuldade para segurar objetos.
Embora seja mais comum em apenas uma mão, é perfeitamente possível que as duas sejam afetadas — especialmente em pessoas que realizam movimentos repetitivos com os polegares no trabalho ou no dia a dia, e também naquelas que têm fatores metabólicos que aceleram o desgaste articular, como o diabetes.
Sentir dor na base dos dois polegares ao mesmo tempo pode parecer coincidência, mas costuma ter uma explicação: o envelhecimento natural das articulações ocorre de forma simétrica no corpo, e certas condições de saúde, incluindo o diabetes mal controlado, criam um ambiente que prejudica as articulações de maneira generalizada.
Como o diabetes interfere na saúde das articulações dos polegares?
O diabetes não afeta apenas o açúcar no sangue. Com o tempo, níveis elevados de glicose danificam pequenos vasos sanguíneos e nervos, reduzem a qualidade do colágeno e dificultam a nutrição das cartilagens articulares. Isso cria um terreno favorável para que artropatias — doenças das articulações — progridam mais rapidamente.
Além disso, pessoas com diabetes têm maior tendência a desenvolver outras condições que afetam as mãos, como a síndrome do túnel do carpo e a contratura de Dupuytren. Por isso, é comum que, ao chegar à consulta com queixa de dor nos polegares, o especialista avalie as mãos de forma mais ampla.
Outro ponto importante: o diabetes influencia diretamente nas decisões de tratamento. A cicatrização pode ser mais lenta, e o controle glicêmico precisa estar em bom nível antes de qualquer procedimento cirúrgico. Tudo isso será discutido com cuidado na consulta.
Quais exames são solicitados para investigar a rizartrose bilateral?
O diagnóstico da rizartrose começa com o exame clínico — ou seja, a avaliação feita pelo próprio médico durante a consulta, com palpação, testes de movimento e manobras específicas para a base do polegar. Mas alguns exames complementares costumam ser solicitados para confirmar e entender melhor a situação de cada mão.
Radiografia das mãos
A radiografia simples continua sendo o exame mais utilizado e mais informativo para a rizartrose. Ela permite visualizar o espaço articular, o grau de desgaste da cartilagem, a presença de osteófitos (os famosos "bicos de papagaio") e possíveis deformidades. Geralmente é feita com a mão apoiada em posição específica para mostrar bem a articulação do polegar.
Ultrassonografia das mãos
O ultrassom pode ser solicitado para avaliar inflamação ao redor da articulação, verificar tendões e identificar derrames articulares (acúmulo de líquido). É um exame dinâmico, feito em tempo real, e não emite radiação — o que pode ser uma vantagem em alguns casos.
Ressonância magnética
Nem sempre necessária, mas pode ser indicada quando o quadro clínico não está completamente claro ou quando se suspeita de lesões em estruturas ao redor da articulação, como ligamentos. É um exame mais detalhado e costuma ser reservado para situações específicas.
Exames de sangue
Para quem tem diabetes, exames laboratoriais como hemoglobina glicada (HbA1c) e glicemia de jejum são essenciais — não para diagnosticar a rizartrose em si, mas para entender o controle metabólico atual. Outros exames podem ser pedidos para descartar artrite reumatoide ou outras doenças inflamatórias que podem imitar a rizartrose.
O que acontece na consulta com a cirurgiã de mão?
Chegar à primeira consulta sem saber o que esperar pode gerar ansiedade. Por isso, entender o que acontece nesse encontro ajuda muito.
A Dra. Rosana Endo começa pela escuta: quando as dores surgiram, em qual mão é mais intensa, quais atividades ficaram difíceis, se há dormência ou formigamento associados. Para quem tem diabetes, também são importantes informações sobre o controle da doença, uso de medicamentos e histórico de complicações.
Em seguida, é feito o exame físico das duas mãos. Uma manobra muito utilizada é o teste de grinding (ou sinal de Eaton), em que o médico pressiona e gira levemente a base do polegar para verificar se reproduz a dor característica da rizartrose. O resultado positivo nesse teste, somado à história clínica, já orienta bastante o diagnóstico.
Após avaliar os exames de imagem — que podem ter sido feitos antes ou serão solicitados nesse momento — o médico explica o grau de comprometimento de cada mão e discute as opções de tratamento disponíveis. Não existe uma fórmula única: cada pessoa recebe uma proposta personalizada, levando em conta o estágio da doença, a dominância das mãos, o controle do diabetes e os objetivos individuais.
Ao final da consulta, você deverá sair com clareza sobre os próximos passos, sem dúvidas no ar. Se algo não ficou claro, pergunte — uma boa consulta é, acima de tudo, um diálogo.
Quais são as opções de tratamento discutidas?
O tratamento da rizartrose bilateral pode seguir caminhos diferentes, e a decisão é sempre compartilhada entre médico e paciente. As principais abordagens incluem:
- Uso de órteses (talas): dispositivos que imobilizam parcialmente a base do polegar, reduzindo a sobrecarga articular durante as atividades. Podem ser indicados para uma ou as duas mãos, dependendo da necessidade.
- Fisioterapia e terapia ocupacional: exercícios para fortalecer a musculatura ao redor da articulação, melhorar a coordenação e adaptar a forma de realizar tarefas do dia a dia.
- Infiltrações articulares: aplicação de medicamentos diretamente na articulação afetada, como corticosteroides, para reduzir a inflamação e a dor. Em pessoas com diabetes, esse procedimento exige cuidado extra, pois corticosteroides podem elevar temporariamente a glicemia — algo que será monitorado.
- Medicamentos: analgésicos e anti-inflamatórios prescritos conforme a necessidade, sempre considerando a condição renal e cardiovascular do paciente com diabetes.
- Cirurgia: indicada nos casos mais avançados, quando os tratamentos conservadores não trouxeram alívio suficiente. Para pessoas com diabetes, o controle glicêmico adequado antes da cirurgia é fundamental para uma boa recuperação.
Quando as duas mãos estão comprometidas, o planejamento do tratamento precisa ser especialmente cuidadoso, para garantir que o paciente mantenha funcionalidade durante todo o processo.
Como se preparar para a consulta e aproveitar ao máximo?
Algumas atitudes simples ajudam a aproveitar melhor o tempo com o especialista:
- Leve exames anteriores: radiografias, ultrassonografias ou qualquer exame das mãos que já tenha feito, mesmo que antigos.
- Liste seus medicamentos: tanto os do diabetes quanto qualquer outro que use regularmente, incluindo suplementos.
- Anote suas dúvidas: antes da consulta, escreva as perguntas que mais te preocupam para não esquecer na hora.
- Traga seus exames laboratoriais recentes: hemoglobina glicada, glicemia e qualquer exame de acompanhamento do diabetes são informações valiosas.
- Descreva suas atividades: conte o que você faz no trabalho e em casa, quais movimentos causam mais dor e o que você deixou de fazer por causa dos sintomas.
A consulta é o momento ideal para entender o que está acontecendo com as suas mãos e traçar um plano realista de cuidado. Se você reconhece esses sintomas, agendar uma avaliação com a Dra. Rosana Endo é o primeiro passo para recuperar qualidade de vida.
Perguntas frequentes
É normal ter rizartrose nas duas mãos ao mesmo tempo?
Sim, é possível. Embora a rizartrose costume ser mais sintomática em uma mão — geralmente a dominante —, o desgaste articular pode acontecer nas duas bases dos polegares. Quem tem diabetes ou realiza atividades manuais intensas tem mais chance de desenvolver o problema de forma bilateral.
O diabetes piora a rizartrose?
O diabetes mal controlado pode acelerar o desgaste das cartilagens e dificultar a recuperação dos tecidos ao redor das articulações. Além disso, ele aumenta o risco de outras condições nas mãos. Por isso, o controle glicêmico é parte importante do tratamento da rizartrose em quem tem diabetes.
A infiltração na articulação do polegar é segura para quem tem diabetes?
É um procedimento que pode ser indicado, mas exige atenção redobrada. Corticosteroides usados nas infiltrações podem elevar temporariamente a glicemia. O especialista avaliará o risco-benefício individualmente e orientará o monitoramento da glicose após o procedimento.
Preciso operar as duas mãos ao mesmo tempo?
Geralmente não. Quando a cirurgia é indicada para as duas mãos, o planejamento costuma ser feito de forma sequencial — primeiro uma, depois a outra — para que o paciente mantenha alguma função durante a recuperação. Tudo será discutido com cuidado na consulta, considerando a situação específica de cada mão e o controle do diabetes.
Quais exames devo levar na primeira consulta?
Se já tiver feito radiografias ou outros exames de imagem das mãos, leve-os. Exames laboratoriais recentes, especialmente a hemoglobina glicada e a glicemia, também são muito úteis. Se ainda não tiver feito nenhum exame, não se preocupe — o especialista solicitará o que for necessário durante a consulta.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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