Rizartrose: quando a cirurgia é indicada e como cuidar
A rizartrose é a artrose que afeta a base do polegar e pode dificultar tarefas simples como abrir potes e segurar objetos. O tratamento varia conforme o estágio da doença, e a cirurgia é considerada quando as medidas conservadoras não oferecem mais alívio suficiente.
O que acontece na base do polegar com a rizartrose
A base do polegar possui uma articulação chamada trapeziometacarpiana, que permite que o dedo se mova em várias direções — um movimento essencial para a maioria das atividades manuais. Com o passar dos anos, a cartilagem que protege essa articulação pode se desgastar gradualmente, causando o que chamamos de rizartrose.
Quando a cartilagem perde espessura, os ossos passam a se aproximar demais durante os movimentos, gerando atrito, inflamação e dor. Esse processo é mais comum a partir dos 50 anos e afeta com mais frequência as mulheres, especialmente após a menopausa.
Os sinais mais comuns incluem:
- Dor na base do polegar ao pinçar ou apertar objetos
- Inchaço e sensibilidade local
- Dificuldade para abrir embalagens, girar chaves ou segurar utensílios
- Sensação de fraqueza na mão
- Em casos mais avançados, uma pequena saliência visível na base do polegar
É importante lembrar que apenas uma avaliação presencial com a especialista permite confirmar o diagnóstico e o estágio da doença.
Tratamentos sem cirurgia: o que pode ser feito primeiro
Na maioria das vezes, a rizartrose começa a ser tratada com medidas que não envolvem procedimento cirúrgico. O objetivo é reduzir a dor, diminuir a inflamação e preservar a função da mão pelo maior tempo possível.
Entre as principais estratégias conservadoras estão:
- Órtese (talas ou palmilhas para o polegar): um dispositivo sob medida que estabiliza a articulação e reduz o atrito durante as atividades. Costuma ser especialmente útil à noite e em momentos de maior esforço.
- Medicamentos: anti-inflamatórios e analgésicos podem ser prescritos pelo médico para controlar as crises de dor.
- Infiltração: a aplicação de corticoide ou ácido hialurônico diretamente na articulação pode oferecer alívio por períodos variáveis.
- Fisioterapia e terapia ocupacional: exercícios específicos ajudam a fortalecer a musculatura ao redor da articulação e a reeducar os movimentos do dia a dia.
Esses recursos funcionam bem especialmente nos estágios iniciais e intermediários da doença. Quando bem indicados e seguidos com regularidade, podem proporcionar qualidade de vida satisfatória por bastante tempo.
Quando a cirurgia passa a ser considerada
A decisão de operar a rizartrose não é tomada de forma isolada — ela envolve a avaliação cuidadosa do estágio da artrose, do nível de limitação que a pessoa enfrenta e da resposta ao tratamento conservador já realizado.
De modo geral, a cirurgia costuma ser discutida quando:
- A dor persiste de forma intensa mesmo com uso regular de órtese, medicamentos e infiltrações
- O desgaste articular está em estágio avançado, confirmado por exames de imagem
- As atividades básicas do dia a dia — como se vestir, cozinhar ou higiene pessoal — ficam comprometidas
- O tratamento conservador foi realizado por tempo adequado sem resultado satisfatório
A técnica cirúrgica mais utilizada é a trapeziectomia, que consiste na retirada do osso trapézio (o osso da base do polegar que participa da articulação desgastada). Com isso, elimina-se a fonte do atrito e da dor. Em alguns casos, usa-se também um tendão do próprio paciente para estabilizar a região.
A cirurgia não é urgente na maioria das vezes, e o momento ideal para realizá-la é algo definido em conjunto entre a paciente e a médica, respeitando as necessidades e o contexto de cada pessoa.
Recuperação após a cirurgia
Após a trapeziectomia, a mão fica imobilizada por algumas semanas. A fisioterapia começa logo em seguida e é fundamental para recuperar força e movimentos. O retorno pleno às atividades varia de pessoa para pessoa e é avaliado progressivamente pela equipe.
Cuidados no dia a dia para quem vive com rizartrose
Pequenas mudanças de hábito podem fazer uma grande diferença na dor e na funcionalidade da mão. Esses cuidados valem tanto para quem ainda está no tratamento conservador quanto para quem já passou por cirurgia e está em reabilitação.
- Prefira cabos e alças mais grossas: talheres, escovas de dente, canetas e ferramentas com cabos mais largos reduzem a pressão sobre a base do polegar.
- Use utensílios adaptados: abridores de potes, alavancas para torneiras e pegadores são aliados valiosos na cozinha e no banheiro.
- Evite pinças prolongadas: segurar objetos pequenos com a ponta dos dedos por muito tempo sobrecarrega a articulação. Tente apoiar os objetos na palma sempre que possível.
- Faça pausas durante as atividades manuais: ao tricotar, escrever, cozinhar ou realizar trabalhos manuais, intercale pausas para descansar a mão.
- Use a órtese quando indicado: ela não é sinal de fraqueza — é uma ferramenta de proteção que pode prolongar a vida útil da articulação.
- Controle o peso: embora a rizartrose afete a mão, o peso corporal influencia a inflamação geral do organismo, o que pode impactar todas as articulações.
- Calor e frio locais: bolsas de água quente podem aliviar a rigidez matinal; compressas frias ajudam nas crises de inflamação aguda. Converse com a médica sobre qual é mais indicada para cada momento.
É possível prevenir a rizartrose?
A rizartrose tem forte componente genético e hormonal, o que significa que nem sempre é possível evitá-la completamente. No entanto, algumas atitudes ao longo da vida podem retardar o aparecimento dos sintomas ou reduzir a progressão do desgaste articular.
- Evitar esforços repetitivos intensos com as mãos sem pausas regulares
- Usar equipamentos adequados e ferramentas com cabo ergonômico em atividades que exijam força manual
- Manter um estilo de vida ativo, com prática regular de atividade física orientada
- Tratar precocemente qualquer dor ou limitação na mão — quanto antes o diagnóstico, mais opções de tratamento estão disponíveis
- Realizar acompanhamento médico regular, especialmente mulheres a partir da menopausa
Se você já percebe desconforto na base do polegar, não espere a dor se intensificar. Uma avaliação com a Dra. Rosana Endo permite identificar o estágio atual e traçar o melhor caminho para o seu caso.
Rizartrose em idosos: atenção especial ao contexto de saúde
Para pessoas com mais de 65 anos, a abordagem da rizartrose exige um olhar ainda mais cuidadoso. Isso porque a saúde geral — como a presença de hipertensão, diabetes ou osteoporose — influencia tanto as opções de tratamento quanto a recuperação após um eventual procedimento cirúrgico.
Além disso, a dor crônica na mão pode impactar diretamente a autonomia e independência do idoso, dificultando tarefas de autocuidado e aumentando o risco de quedas ao tentar compensar a dor com movimentos inadequados.
Por isso, o tratamento multidisciplinar — envolvendo cirurgião de mão, fisioterapeuta e, quando necessário, terapeuta ocupacional — tende a oferecer os melhores resultados para esse grupo.
A boa notícia é que a rizartrose tem tratamento eficaz em qualquer idade. Muitas pessoas retomam atividades que haviam abandonado e recuperam significativa qualidade de vida com o acompanhamento adequado. Agende uma avaliação com a Dra. Rosana Endo para entender qual o melhor caminho para a sua situação.
Perguntas frequentes
A cirurgia da rizartrose tem risco de piorar a situação?
Como qualquer procedimento cirúrgico, a trapeziectomia envolve riscos, que são avaliados individualmente antes da indicação. A cirurgia só é recomendada quando os benefícios esperados superam os riscos para aquela pessoa específica. Uma conversa franca com a Dra. Rosana Endo esclarece o que esperar em cada caso.
Quanto tempo dura a recuperação após a cirurgia da rizartrose?
O período de imobilização costuma durar algumas semanas. Após isso, inicia-se a fisioterapia. O retorno às atividades leves ocorre gradualmente, e a recuperação completa pode levar alguns meses — variando conforme o estágio da artrose, a saúde geral do paciente e o comprometimento com a reabilitação.
Posso continuar usando a mão normalmente enquanto aguardo tratamento?
Com adaptações e os cuidados corretos, é possível continuar realizando as atividades do dia a dia. O uso de órtese, utensílios adaptados e as orientações de um profissional de saúde ajudam a proteger a articulação e reduzir a piora dos sintomas enquanto o tratamento é definido.
A dor na base do polegar significa que sempre vai precisar de cirurgia?
Não necessariamente. Muitas pessoas controlam bem a rizartrose com tratamento conservador por anos, sem precisar de cirurgia. A necessidade cirúrgica depende do estágio da artrose e da resposta às medidas não cirúrgicas. Por isso, o diagnóstico precoce é tão importante.
Existe algum exercício que posso fazer em casa para melhorar a dor?
Exercícios específicos para fortalecer a musculatura ao redor do polegar podem ser indicados pelo fisioterapeuta ou pela médica. É importante não iniciar exercícios por conta própria durante uma crise de dor intensa, pois alguns movimentos podem agravar a inflamação. Busque orientação profissional antes de começar qualquer rotina.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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