Rizartrose: o que a radiografia revela e quando operar
A rizartrose é a artrose que afeta a articulação na base do polegar e pode ser identificada pela radiografia antes mesmo de a dor se tornar intensa. Saber o que a imagem mostra — e o que isso significa para o tratamento — ajuda você a tomar decisões mais seguras sobre a própria saúde.
O que acontece na base do polegar na rizartrose
A articulação trapézio-metacarpal fica exatamente onde o polegar se encontra com o punho. Ela é responsável por movimentos amplos e precisos: pinçar, girar uma chave, abrir um pote, segurar o celular. Por causa dessa exigência constante, é uma das articulações da mão mais propensas ao desgaste com o passar dos anos.
Na rizartrose, a cartilagem que reveste os ossos dessa articulação vai se desgastando progressivamente. Sem essa proteção, os ossos passam a se atrito um contra o outro, causando dor, inflamação e, com o tempo, deformidade visível na base do polegar.
Mulheres acima dos 40 anos são o grupo mais afetado — especialmente após a menopausa, quando alterações hormonais podem reduzir a qualidade do colágeno dos ligamentos, tornando a articulação menos estável e mais vulnerável ao desgaste.
O que a radiografia enxerga que o exame clínico não vê
Quando a dor na base do polegar se instala, muitas mulheres acreditam que se trata de tendinite ou de cansaço. A radiografia simples das mãos é o exame que tira essa dúvida com objetividade e sem custo elevado.
Na imagem radiográfica, o médico avalia:
- Redução do espaço articular: a distância entre os ossos diminui conforme a cartilagem se desgasta. Quanto menor o espaço, mais avançada a artrose.
- Presença de osteófitos: são pequenos bicos ósseos que se formam nas bordas da articulação como resposta ao desgaste. Eles aparecem como pequenas saliências na imagem e frequentemente coincidem com o abaulamento visível e palpável na base do polegar.
- Esclerose subcondral: o osso sob a cartilagem fica mais denso e esbranquiçado na radiografia, indicando que está sendo sobrecarregado.
- Subluxação articular: em casos mais avançados, o primeiro metacarpo (osso do polegar) pode estar levemente deslocado de sua posição normal, o que aparece claramente na imagem.
Com base nessas características, a rizartrose é classificada em estágios — do I ao IV — segundo a escala de Eaton e Littler. Essa classificação guia diretamente as decisões de tratamento: estágios iniciais respondem melhor ao tratamento conservador, enquanto os mais avançados frequentemente precisam de avaliação cirúrgica.
Importante: a intensidade da dor nem sempre corresponde ao grau visto na radiografia. Algumas pessoas com imagem bastante alterada relatam dor moderada; outras, com alterações discretas, sentem dor intensa. Por isso, a imagem é uma peça do quebra-cabeça — não o único critério de decisão.
Quando o tratamento conservador é o caminho certo
Antes de pensar em cirurgia, existe um conjunto de medidas que podem trazer alívio significativo, especialmente nos estágios I e II da doença:
- Órtese (splint) para o polegar: uma goteira sob medida que estabiliza a articulação durante as atividades do dia a dia e durante o sono, reduzindo a inflamação e a dor.
- Infiltração com corticoide: aplicação de anti-inflamatório diretamente na articulação, indicada quando a dor está aguda e limitante. O efeito é temporário, mas pode ser suficiente para fases de crise.
- Fisioterapia e terapia ocupacional: exercícios de fortalecimento dos músculos ao redor da articulação e orientações sobre como realizar as tarefas cotidianas sem agravar o desgaste.
- Adaptações no cotidiano: utensílios com cabos mais grossos, abridores de pote, evitar pinças prolongadas. Pequenas mudanças que fazem grande diferença.
O tratamento conservador bem conduzido pode controlar os sintomas por anos. A cirurgia não é uma obrigatoriedade — ela entra em cena quando essas medidas já não são suficientes para manter a qualidade de vida.
Quando a cirurgia passa a ser considerada
A indicação cirúrgica na rizartrose não é definida apenas pela radiografia. Ela é resultado de uma análise conjunta: o que a imagem mostra, o que a paciente sente, como a dor interfere nas atividades e quanto tempo de tratamento conservador já foi tentado sem sucesso adequado.
De forma geral, a cirurgia costuma ser discutida quando:
- A dor persiste ou piora mesmo após seis meses ou mais de tratamento conservador bem seguido;
- Atividades simples — como escrever, cozinhar ou se vestir — estão comprometidas de forma importante;
- A radiografia evidencia estágio avançado (III ou IV), com perda significativa do espaço articular ou subluxação;
- A qualidade do sono está prejudicada pela dor noturna;
- A paciente está em boas condições clínicas para um procedimento cirúrgico.
A técnica mais utilizada atualmente é a trapeziectomia — remoção do osso trapézio, que é um dos ossos desgastados da articulação — associada ou não à reconstrução ligamentar com tendão da própria paciente. Existem variações técnicas, e a escolha depende do estágio da doença, da anatomia individual e da experiência do cirurgião.
A recuperação exige paciência: as primeiras semanas envolvem imobilização, seguida de fisioterapia para recuperar força e mobilidade. Os resultados, quando bem indicados e bem realizados, costumam ser positivos em termos de alívio da dor — mas como qualquer procedimento cirúrgico, não há garantias absolutas, e cada caso responde de forma diferente.
A cirurgia resolve definitivamente?
A trapeziectomia tende a ser eficaz no alívio da dor e na recuperação funcional, mas é fundamental ter expectativas realistas. A cirurgia trata o problema articular; ela não rejuvenesce as demais articulações da mão nem impede que outras articulações desenvolvam artrose no futuro. Por isso, a conversa franca com a cirurgiã de mão antes do procedimento é essencial para entender o que esperar da recuperação.
Por que consultar uma especialista em cirurgia da mão faz diferença
A mão é uma das regiões mais complexas do corpo humano — 27 ossos, dezenas de articulações, tendões e nervos milimétricos convivendo em um espaço pequeno. O cirurgião de mão é o especialista que une o conhecimento ortopédico e plástico voltado exclusivamente para essa região.
Na avaliação de uma paciente com suspeita de rizartrose, a Dra. Rosana Endo analisa os sintomas, examina clinicamente a articulação e interpreta os exames de imagem dentro do contexto de vida de cada mulher — suas atividades, seu trabalho, suas necessidades. Só assim é possível montar um plano de tratamento que faça sentido para aquela pessoa, não apenas para o exame.
Se você sente dor na base do polegar, percebe dificuldade para pinçar objetos ou notou um pequeno abaulamento nessa região, agende uma avaliação. Quanto mais cedo o diagnóstico é confirmado, mais opções de tratamento estão disponíveis — e maior a chance de preservar a função da mão por muito mais tempo.
Perguntas frequentes
A radiografia é suficiente para diagnosticar a rizartrose?
A radiografia é o principal exame para confirmar a rizartrose e avaliar seu estágio. Na maioria dos casos, ela já fornece as informações necessárias. Em situações específicas, a cirurgiã pode solicitar exames complementares, como ressonância magnética, para avaliar partes moles ao redor da articulação. O diagnóstico definitivo, porém, sempre combina a imagem com o exame clínico presencial.
Toda mulher acima dos 40 com dor no polegar tem rizartrose?
Não necessariamente. A dor na base do polegar pode ter outras causas, como tendinite de De Quervain, síndrome do túnel do carpo ou lesão ligamentar. Por isso, a avaliação por um especialista é fundamental para identificar a origem correta da dor e indicar o tratamento adequado. Não é possível definir o diagnóstico apenas por sintomas descritos, sem exame clínico e de imagem.
É possível conviver com a rizartrose sem fazer cirurgia?
Sim, muitas mulheres convivem com a rizartrose por anos com qualidade de vida satisfatória por meio do tratamento conservador — órtese, fisioterapia, infiltrações e adaptações no cotidiano. A cirurgia é uma opção, não uma obrigação. A indicação depende de como a doença está afetando a vida de cada paciente e de quanto o tratamento clínico ainda está sendo eficaz.
Quanto tempo dura a recuperação após a cirurgia de rizartrose?
A recuperação varia de acordo com a técnica utilizada e com as características individuais de cada paciente. Em geral, as primeiras semanas envolvem imobilização com gesso ou órtese, seguida de fisioterapia. A recuperação funcional completa — com retorno pleno às atividades — costuma levar de três a seis meses. Esses prazos são estimativas gerais; a cirurgiã responsável pelo caso orienta cada paciente de forma personalizada.
A menopausa realmente influencia no aparecimento da rizartrose?
Estudos indicam que sim. A queda dos níveis de estrogênio na menopausa pode afetar a qualidade dos ligamentos e da cartilagem, tornando as articulações das mãos mais vulneráveis ao desgaste. Isso ajuda a explicar por que a rizartrose é consideravelmente mais frequente em mulheres do que em homens, especialmente na faixa dos 40 a 60 anos. Essa predisposição não significa, porém, que todas as mulheres na menopausa desenvolverão a doença.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
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