Rizartrose: radiografia e cirurgia para quem dirige muito
A rizartrose é a artrose que afeta a base do polegar e pode tornar atos simples — como segurar o volante — dolorosos e limitantes. A radiografia é o exame principal para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento mais adequado para cada fase da doença.
O que acontece na base do polegar de quem dirige muito
Quem passa horas ao volante todos os dias sabe o quanto o polegar trabalha: ele segura o volante, aciona controles no painel, usa o celular nos momentos de parada e ainda aperta a alavanca de câmbio. Esse esforço repetitivo e contínuo sobrecarrega uma pequena articulação chamada trapeziometacarpiana, localizada exatamente na base do polegar, onde ele se une ao punho.
Com o tempo, a cartilagem que protege essa articulação vai se desgastando. Quando isso acontece, osso começa a roçar em osso, gerando dor, inchaço e perda de força. Esse processo é chamado de rizartrose — e motoristas profissionais e habituais estão entre os grupos que merecem atenção especial a esse problema.
A boa notícia é que, quanto mais cedo o diagnóstico é feito, mais opções de tratamento estão disponíveis — e a radiografia tem papel central nessa descoberta.
Como a radiografia ajuda a confirmar a rizartrose
O diagnóstico da rizartrose começa com a história clínica e o exame físico: a cirurgiã de mão avalia onde dói, como a dor surgiu, quais movimentos pioram o quadro e faz testes específicos para a articulação do polegar. Mas é a radiografia que fornece a imagem concreta do estado da articulação.
No raio-X, é possível identificar sinais típicos da artrose, como:
- Redução do espaço articular — o espaço entre os ossos fica mais estreito conforme a cartilagem se desgasta;
- Osteófitos — pequenos bicos ósseos que se formam nas bordas da articulação como resposta ao desgaste;
- Esclerose subcondral — o osso abaixo da cartilagem fica mais denso e esbranquiçado na imagem;
- Subluxação — em casos mais avançados, os ossos da articulação podem se desalinhar levemente.
Esses achados permitem classificar a rizartrose em quatro estágios (classificação de Dell ou Eaton-Littler), o que é fundamental para decidir o tratamento. Um estágio inicial pode responder bem a medidas conservadoras; estágios mais avançados podem precisar de cirurgia.
Vale lembrar: a intensidade da dor nem sempre corresponde ao que aparece no raio-X. Há pessoas com imagens bastante alteradas que ainda têm boa função, e vice-versa. Por isso, a avaliação precisa ser individualizada — a radiografia é uma peça importante do quebra-cabeça, não o único critério de decisão.
Sinais de alerta para motoristas: quando procurar um especialista
Muita gente tende a ignorar a dor na base do polegar, atribuindo-a ao cansaço ou à posição ao volante. Mas alguns sinais merecem atenção e indicam que uma avaliação com especialista é necessária:
- Dor persistente na base do polegar, especialmente ao girar o volante ou ao abrir garrafas e torneiras;
- Sensação de fraqueza na pinça — dificuldade em segurar objetos entre o polegar e o indicador;
- Inchaço ou abaulamento visível na base do polegar;
- Dor que piora após longos períodos ao volante e melhora com repouso;
- Necessidade de mudar a forma de segurar o volante para evitar a dor;
- Dor noturna que atrapalha o sono.
Esses sintomas não significam, necessariamente, que a cirurgia será indicada — mas ignorá-los pode permitir que a articulação chegue a um estágio mais avançado, onde as opções de tratamento ficam mais limitadas.
A posição no volante importa?
Sim. Segurar o volante com força excessiva, na posição "10 e 2 horas" por horas seguidas, aumenta a carga sobre a base do polegar. Adaptar a empunhadura e fazer pausas regulares são medidas simples que podem ajudar a reduzir o desconforto — mas não substituem a avaliação médica quando a dor já está presente.
Quando o tratamento conservador já não é suficiente
A maioria dos casos de rizartrose começa com tratamento não cirúrgico: uso de órteses (talas para imobilizar a articulação), medicamentos anti-inflamatórios, fisioterapia, terapia ocupacional e, em alguns casos, infiltrações com corticoide ou ácido hialurônico. Para muitos pacientes, esse conjunto de medidas traz alívio significativo e permite manter a qualidade de vida por anos.
No entanto, há situações em que o tratamento conservador não resolve ou perde o efeito com o tempo. A cirurgia passa a ser discutida quando:
- A dor é intensa e constante, mesmo com tratamento adequado por pelo menos seis meses;
- A função da mão está comprometida de forma significativa — o paciente não consegue trabalhar, dirigir ou realizar atividades cotidianas básicas;
- A radiografia mostra estágio avançado da doença, com destruição articular importante ou subluxação;
- As infiltrações deixam de ter efeito duradouro;
- A qualidade de vida está muito reduzida em razão da dor.
Para motoristas profissionais — que dependem das mãos para trabalhar —, a decisão sobre a cirurgia leva em conta também o impacto na capacidade de dirigir e o tempo de afastamento necessário para a recuperação. Cada caso é avaliado de forma personalizada.
Quais cirurgias são realizadas e o que esperar da recuperação
Existem diferentes técnicas cirúrgicas para a rizartrose, e a escolha depende do estágio da doença, da idade, do nível de atividade do paciente e das condições gerais de saúde. As mais utilizadas incluem:
- Trapeziectomia: remoção do osso trapézio (um dos ossos envolvidos na articulação), frequentemente combinada com uma plastia de ligamento usando um tendão do próprio paciente. É a técnica mais difundida e com longa trajetória de resultados documentados na literatura médica;
- Artroplastia: substituição da articulação por uma prótese, opção menos utilizada na base do polegar do que em outras articulações;
- Artrodese: fusão dos ossos da articulação, que elimina a dor mas também o movimento local — mais indicada em casos específicos, como pacientes jovens com trabalho manual intenso.
A recuperação após a cirurgia varia conforme a técnica e o paciente, mas, de forma geral, envolve um período de imobilização com tala, seguido de fisioterapia para recuperar a força e a mobilidade. O retorno à direção depende da evolução individual e é avaliado pela cirurgiã ao longo do acompanhamento — não existe uma data universal que se aplique a todos.
A cirurgia não promete eliminar toda e qualquer dor, mas tem como objetivo reduzir significativamente o desconforto e restaurar a função da mão para as atividades do dia a dia.
Como a Dra. Rosana Endo avalia e acompanha casos de rizartrose
A Dra. Rosana Endo, cirurgiã de mão com atuação em São Paulo, realiza avaliação clínica detalhada para cada paciente, analisando o histórico de sintomas, o exame físico da articulação e os exames de imagem — incluindo a radiografia. A partir dessas informações, é possível identificar em qual estágio a doença se encontra e quais caminhos de tratamento fazem sentido para aquela pessoa em específico.
Para motoristas e profissionais que dependem das mãos, a conversa inclui também as particularidades do trabalho: quantas horas por dia dirigem, que tipo de veículo utilizam e quais limitações já estão presentes no cotidiano. Esses detalhes fazem diferença na hora de montar um plano de tratamento realista e adequado.
Se você sente dor ou fraqueza na base do polegar e dirige com frequência, a orientação é não esperar os sintomas piorarem. Agendar uma avaliação é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e quais opções estão disponíveis para o seu caso.
Perguntas frequentes
A radiografia é suficiente para diagnosticar a rizartrose ou preciso de outros exames?
Na maioria dos casos, a radiografia já fornece informações suficientes para confirmar a rizartrose e classificar o grau de desgaste articular. Em situações específicas, a cirurgiã pode solicitar outros exames de imagem, como ressonância magnética, para avaliar tendões e tecidos ao redor da articulação. A decisão sobre quais exames são necessários é feita após a avaliação clínica.
Dirigir muito causa rizartrose ou apenas piora quem já tem predisposição?
A rizartrose tem causas multifatoriais: genética, sexo feminino, idade e uso repetitivo das mãos. Dirigir muito não é a causa isolada da doença, mas o esforço repetitivo sobre a articulação pode acelerar o desgaste em quem já tem predisposição. Por isso, motoristas habituais merecem atenção especial aos primeiros sinais de dor na base do polegar.
Depois da cirurgia de rizartrose, poderei voltar a dirigir normalmente?
O retorno à direção após a cirurgia depende da técnica utilizada, da evolução da recuperação e da avaliação da cirurgiã durante o acompanhamento. Muitos pacientes conseguem retomar a direção após o período de reabilitação, com melhora da dor e da força — mas o tempo e as condições do retorno variam de pessoa para pessoa e não podem ser garantidos de forma antecipada.
Existe algum acessório para o volante que ajuda a proteger a base do polegar?
Capas de volante com maior espessura e superfície macia podem reduzir a pressão sobre a mão durante a direção. O uso de órtese (tala) específica para a base do polegar, indicada pelo médico ou terapeuta, também pode ajudar em casos de rizartrose inicial. Essas medidas auxiliam no alívio dos sintomas, mas não substituem o tratamento médico quando a dor já está presente.
Como sei se minha dor no polegar é rizartrose ou tendinite?
A dor na mão pode ter várias origens — rizartrose, tendinite de De Quervain, síndrome do túnel do carpo e outras condições podem se sobrepor ou simular sintomas parecidos. Somente uma avaliação presencial, com exame físico e, se necessário, exames de imagem, permite diferenciar essas condições. Não é possível determinar a causa da dor apenas pelos sintomas descritos, por isso a consulta com especialista é fundamental.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento são individualizados e dependem de avaliação presencial.
Está com esses sintomas?
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